sábado, 27 de julho de 2013

PDT consolida opção por candidatura própria no Rio Grande do Sul

Outras Notícias: http://pdt.org.br/ (Atualizadas até o dia em que você clicar)

 Fonte: MCS - Jornal do Comércio | 26 de julho de 2013

Sigla já finalizou dois terços do cronograma de encontros para definir a estratégia de 2014 - autor: LUIZ MOREM/DIVULGAÇÃO/JC
 
Sigla já finalizou dois terços do cronograma de encontros para definir a estratégia de 2014 - autor: LUIZ MOREM/DIVULGAÇÃO/JC
Tendo concluído 22 encontros regionais de consulta às bases partidárias no Interior do Estado - dos 38 programados até outubro -, o que equivale a dois terços da agenda, o PDT cristaliza a opção por lançar candidatura própria ao governo do Estado no ano que vem. O deputado federal Vieira da Cunha é o nome que se apresenta, até agora, para a disputa. Caso a candidatura própria não seja viabilizada, a alternativa deve ser a manutenção da aliança com o governador Tarso Genro (PT), que deverá concorrer à reeleição. Neste cenário, o PDT indicaria o candidato a vice-governador.

O presidente estadual do partido reforça que a decisão só deve ocorrer depois do ciclo de debates com as bases, entre novembro e dezembro. “O PDT, pela sua base, tem manifestado amplamente a vontade de ter candidatura própria. Ao final de tudo isso, vamos ter de construir uma situação de viabilidade para essa candidatura. Viabilidade passa, necessariamente, por um conjunto de alianças para uma política de preparação às eleições proporcionais”, reflete Bolzan, dizendo que a executiva estadual vem dialogando com outras siglas.

“Conversamos com vários partidos. Já trocamos impressões, sabemos o que pensam sobre o pleito do ano que vem praticamente todos os partidos”, explica, relatando que as siglas estão alinhavando suas estratégias para 2014. “Nós também estamos. Se for possível construir uma candidatura própria, nós vamos. Se não for possível, vamos para a segunda opção,” que é uma aliança, adianta Bolzan, esclarecendo que, “por uma questão de coerência”, a composição com a candidatura de Tarso “é uma opção lógica”. “Ter uma posição muito divergente daquela que estamos hoje não seria incoerente. Não seria nem moral, tampouco ética. Se não tivermos candidatura própria, possivelmente estaremos no mesmo lugar onde estamos (aliança com o PT).”

Bolzan ressalta que a recente pesquisa divulgada pelo Ibope, em que o governo gaúcho aparece com uma aprovação de apenas 25%, não interfere na opção da sigla. “Nós até podemos receber apoio de partidos que estão na oposição para uma candidatura própria, mas não ficaremos na oposição em uma situação secundária. Podemos receber apoio comandando um processo alternativo”, argumenta.

O líder da bancada pedetista na Assembleia Legislativa, Gerson Burmann, diz que os deputados têm participado dos encontros regionais, e que existe “plena sintonia” dos parlamentares com os encaminhamentos da executiva estadual. “O que o partido determinar no final do ano - o que deve ocorrer em uma reunião do diretório - será acatado pela bancada”, explica Burmann, ponderando que o processo em curso não afeta a postura dos deputados pedetistas na composição da base de apoio ao governo do Estado.

Neste final de semana, as plenárias regionais não acontecem, em virtude de uma agenda partidária da executiva com a coordenadoria de Erechim e de uma reunião em São José do Ouro, onde está sendo organizada a representação local do partido. Os próximos encontros acontecem em Ijuí, no dia 2 de agosto, e em Soledade, no dia seguinte.

 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Juventude Socialista do PDT cria executiva em Maquiné (RS)


Na noite de sexta-feira, 19.07.2013, em Maquiné, foi instituída a executiva provisória da Juventude Socialista do Partido Democrático Trabalhista. O ato foi acompanhado pelas lideranças do município e região: presidente municipal do PDT, César Boff, o Tedão; vereadores João Marcos, Cesar e Márcia Biriva; ex-vereador, Edson Bopsin; coordenador regional do PDT - Litoral Norte, Nilvo Nunes, o Banzé. A executiva provisória contou, ainda, com a presença da Coordenadoria Regional da Juventude do PDT, representada por Romildo Bolzan Neto, coordenador no Litoral Norte.

A executiva foi composta pelos seguintes membros: 

Presidente: Rodrigo Ferreira
Vice-Presidente: Laone Rech
Secretário Geral: Marcelo Bitencourt
Tesoureiro: João Marcos
Secretário de Movimentos sociais: Anderson Staudt
Secretário de Comunicação: Jacson Micael Bopsin

A ação faz parte do projeto da Coordenadoria Regional da Juventude do PDT, em parceria com a Executiva Estadual, pelo presidente João Henrique Cella, de consolidação de jovens comprometidos com as bandeiras do partido.

O coordenador regional da Juventude do PDT, Romildo Bolzan Neto, lembrou que esta é a primeira de uma série de ações que serão realizadas no Litoral Norte, sempre no intuito de expandir o PDT, criando lideranças, sem que se perca os ideias da Educação e do Trabalhismo. Ideais estes que norteiam o partido desde sua criação até os dias de hoje."

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Dilma garante a Fortunati recursos para recuperação do Mercado

Fonte: MCS - Prefeitura de Porto Alegre e br.noticias.yahoo.com | 7 de julho de 2013 Em telefonema ao prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, na tarde deste domingo, 7, a presidenta Dilma Roussef lamentou o incêndio ocorrido no Mercado Público e garantiu que o governo federal disponibilizará recursos para a recuperação do prédio, conforme apelo do chefe do executivo municipal. "Tivemos uma longa conversa quando a presidenta relembrou que almoçava com frequência no Mercado. Segundo ela, o Mercado Público faz parte da alma de Porto Alegre, por isso garantiu que não faltarão recursos do governo federal para a recuperação desse ícone da cidade", revelou o prefeito. De acordo com Fortunati os recursos podem vir através do PAC das Cidades Históricas, que já tem a participação de Porto Alegre, ou mesmo o PAC voltado para as outras obras. "O certo é que a presidenta se sensibilizou pelo que aconteceu e vai ajudar Porto Alegre a reeguer o que o fogo consumiu", acrescentou o prefeito, que viaja amanhã a Brasília, dando início as tratativas para se habilitar aos recursos prometidos pela presidenta. Leia Mais: Incêndio destrói 30% do Mercado Público de Porto Alegre Um incêndio atingiu na noite deste sábado (6) o Mercado Público de Porto Alegre, no centro da capital do Rio Grande do Sul. Segundo os bombeiros, o fogo começou por volta das 20h30. Parte do telhado chegou a desabar. Dados preliminares apontam que 30% do edifício tenha sido destruído, com problemas concentrados nas fachadas para as avenidas Borges e Siqueira Campos, onde teria iniciado o fogo. A chuva que caiu durante a madrugada evitou novos focos de chamas, mas agora pode prejudicar a realização da perícia. Peritos e representantes da Polícia Civil iniciaram, na manhã deste domingo, a avaliação das causas e dos estragos do incêndio que atingiu o Mercado Público. O incêndio começou após o fechamento do mercado, e não há registro de vítimas. Contudo, algumas pessoas que estavam no entorno chegaram a ser socorridas em ambulâncias do corpo de bombeiros, pois passaram mal devido à fumaça. Dezenas de animais foram retidados com vida do incêndio que atingiu o local. As aves são comercializadas no Mercado durante o dia e estavam no interior do prédio quando o fogo começou. Os primeiros integrantes do Corpo de Bombeiros a chegarem ao local foram os responsáveis por retirar os animais. Prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, acompanhou o trabalho dos bombeiros no combate ao fogo no Mercado Pú … Na manhã deste domingo, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), e autoridades estaduais e municipais se reuniram com permissionários do mercado para dar as primeiras indicações sobre as condições do plano de prevenção contra incêndios e expectativas de recuperação. O Mercado Público faz parte do patrimônio histórico e cultural da capital gaúcha desde 1979 e foi inaugurado em outubro de 1869, segundo informações da prefeitura do município. O segundo pavimento foi construído apenas em 1912. Pelo menos 111 estabelecimentos ficam no local. Este é o quarto incêndio que atinge o prédio. Os outros ocorreram em 1912, 1976 e 1979. .

sábado, 6 de julho de 2013

Caminhos cruzados, por Romildo Bolzan Júnior

Fonte: MCS - www.pdtrs.org.br | 5 de julho de 2013

Como dirigente partidário, estou surpreso com a intensidade das manifestações dos últimos dias nas principais capitais e cidades brasileiras. Limitado pelas agendas da dinâmica do partido, confesso que estranhei a dimensão dos espaços que os protestos vem ocupando em nosso país.
É bem verdade que os primeiros sinais, emitidos aqui em nossa capital – a mesma que há 52 anos Brizola mobilizou pela Legalidade – germinaram de forma avassaladora através de novos mecanismos de divulgação, as redes sociais, ferramentas que pertencem especialmente ao domínio dos jovens, os titulares absolutos dos protestos.
Assistimos, então, em Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Goiânia, entre tantas outras cidades, as mesmas cenas que vimos pela televisão na Espanha, França, Grécia, Egito e, simultaneamente, Turquia. Vimos com preocupação o estopim da crise européia através da manifestação dos jovens e saudamos com entusiasmo a denominada Primavera Árabe, a exuberante e inacreditável explosão de protestos em países dominados pelo totalitarismo.
O meu erro, como homem de partido, acostumado com as longas discussões políticas, as articulações e ponderações das mais variadas conjunturas, foi ter desprezado os sinais evidentes de que aqui – como em todo o mundo – também estava se materializando a insatisfação popular. Assumo como erro porque entendo que cabe ao partido político demandar as questões sociais através dos espaços públicos.
Os R$ 0,20 que mobilizam multidões estão materializados na péssima qualidade do serviço de transporte público em nosso país, que submete os trabalhadores ao confinamento em ônibus durante várias horas nos deslocamentos de casa para o trabalho. Agora capacitada financeiramente, a classe trabalhadora não tem mobilidade para mudar seu trajeto. Essa condenação histórica nunca entrou nas agendas dos governantes, que direcionaram sua preocupação para a modernidade urbana, acreditando que através das obras da Copa estariam dando passos gigantescos na direção do desenvolvimento. Os milhões investidos nos estádios estão com a fatura exposta nas ruas do país. O povo quer saúde, educação, transporte de qualidade, mobilidade urbana, respostas dos governos, eficiência, valores éticos e morais. O que explodiu foi o represamento das indignações.
Enquanto os jovens ocupam as ruas protestando pelos equívocos no direcionamento dos recursos públicos, os partidos políticos caminham para as agendas previsíveis dos calendários institucionais da nossa democracia representativa. É compreensível que eles recusem a partidarização, afinal, falhamos quando não ouvimos seus sinais. Mas vê-los altivos, autônomos e livres nas negociações e nos protestos me causa estranheza. O recado é claro, estamos em caminhos diferentes e não falamos a mesma linguagem. Será que envelhecemos com nossos partidos?
Romildo Bolzan Júnior, presidente estadual do PDT

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Redução da passagem deve ser votada hoje pela Câmara de POA

Fonte: MCS - www2.portoalegre.rs.gov.br | 1 de julho de 2013

A Câmara Municipal deve votar nesta segunda-feira, 1º, o projeto de lei do Executivo que isenta do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) as empresas de transporte coletivo por ônibus da Capital. Sendo aprovado, o prefeito José Fortunati prometeu que reduzirá a tarifa para R$ 2,80 no mesmo dia.

O projeto de lei deve somar-se à isenção de PIS/Cofins concedida pelo Governo Federal, causando a redução no valor da passagem. Com a isenção do imposto municipal, o município deixará de arrecadar R$ 15 milhões anuais como forma de subsidiar o transporte coletivo e reduzir o valor da passagem para o usuário. A alíquota de ISSQN em vigor para o serviço em Porto Alegre é de 2,5%.

Buscando uma redução ainda maior no valor da passagem, Fortunati também formalizou no dia 18 deste mês ao governador Tarso Genro, por ofício, pedido para que seja encaminhada ao Legislativo estadual redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o óleo diesel consumido pelo setor de transporte coletivo. Cálculos preliminares apontam que a isenção do imposto estadual poderia resultar em tarifa de R$ 2,73.

Âmbito nacional - A redução das passagens a partir da isenção de tributos está avançando em nível nacional com a tramitação do Regime Especial de Incentivos para o Transporte Coletivo (Reitup). Nesta terça-feira, 2, o prefeito José Fortunati acompanha, em Brasília, a votação do projeto de lei, em caráter terminativo, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O Reitup permitirá que a tarifa de transporte coletivo seja incluída como item da cesta básica e receba as isenções tributárias que o governo federal tem concedido a outros segmentos da economia, como a linha branca.

O projeto determina que estados e municípios apliquem desonerações no ICMS e no Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), reduzindo o preço da passagem do transporte coletivo. Prevê ainda a implantação de modelo de planilha único para todo o país, que deverá ser divulgado na Internet, além da criação de Conselho Municipal para a área e do bilhete único (Porto Alegre já possui ambos).

No dia 25, o projeto de lei foi aprovado por unanimidade na sua primeira votação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Fortunati, presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), esteve em Brasília defendendo junto aos senadores agilidade na aprovação.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Auditor do trabalho é espancado durante fiscalização em obra no RS

Operação posterior encontrou 25 trabalhadores sem registro em carteira na obra, que não tinha alvará e contava com diversas irregularidades (Foto: SRTE-RS)
 
Operação posterior encontrou 25 trabalhadores sem registro em carteira na obra, que não tinha alvará e contava com diversas irregularidades (Foto: SRTE-RS)
O auditor fiscal do trabalho Sérgio Augusto de Oliveira ficou gravemente ferido durante fiscalização no município de Campo Bom, na região metropolitana de Porto Alegre (RS). Segundo a Superintendência Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul, ele foi atacado pelos donos de uma construtora enquanto fazia a fiscalização em uma obra. O caso foi encaminhado para a Polícia Federal. O nome da empresa não foi divulgado. Em depoimento à Repórter Brasil, o auditor afirmou que temeu por sua vida no ataque. “Quase me mataram lá”, resumiu.
Na profissão há 17 anos, Sérgio conta que chegou ao local sozinho na manhã de 14 de maio e foi orientado pelos funcionários a se dirigir à sala da gerente. Segundo ele, ao ser informada sobre a fiscalização, ela tentou prendê-lo em sua sala, mas, sem conseguir, chamou outras sete pessoas que, com socos e pontapés, o espancaram por meia hora até que perdesse a consciência. Ele tentou fugir quando acordou, mas foi derrubado e perdeu mais uma vez a consciência. Só na terceira tentativa conseguiu escapar. De acordo com o chefe da Seção de Fiscalização do Trabalho de Porto Alegre, José Panatto Cardoso, foi a ajuda de um dos empregados da obra que salvou a vida do auditor. Sérgio também disse que sua identidade, documentos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), celular e óculos foram furtados durante a agressão. Socorrido pela Polícia Militar, ele foi levado ao hospital e teve que se afastar por 32 dias do trabalho para se recuperar.
Após a fiscalização frustrada, o MTE organizou nova operação no local, desta vez com participação de 12 auditores fiscais e sete policiais federais. Foram encontrados então 25 trabalhadores sem carteira assinada, incluindo um garoto com menos de 16 anos. A obra não tinha alvará e foi interditada. Diversas outras irregularidades foram encontradas. O caso foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho, que entrou na última quinta-feira (20) com ação civil pública contra a empresa.
De acordo com José, esta é a primeira vez que um auditor fiscal é agredido em serviço na Grande Porto Alegre. Segundo ele, os auditores costumam fazer a fiscalização sozinhos quando as operações são consideradas seguras, ou em duplas se a fiscalização for em local considerado arriscado. Ele ressalta que o ideal seria todas as operações serem feitas em duplas, mas diz que faltam funcionários: “Há dez anos, a Grande Porto Alegre tinha 67 auditores fiscais, mas hoje são só 20”. Ele também diz que o problema não está restrito à região: “O próximo concurso público vai abrir 100 vagas para a contratação de auditores fiscais do trabalho em todo o país, o que não deve nem repor a quantidade de trabalhadores que se aposentaram no último ano”.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Vieira da Cunha: "Brizola, antes de tudo, era um patriota"

A notícia da morte do Governador Leonel de Moura Brizola encontrou-me na distante cidade de Pequim, na China, onde, participava da missão oficial do Estado do Rio Grande do Sul naquele país. Eram cerca de 8h25min da manhã, em Pequim - 9h25min da noite, no Brasil -, o Governador Leonel Brizola havia falecido há poucos minutos, e o seu assessor de imprensa, Fernando Brito, telefonava para me comunicar a morte.
Imediatamente, justifiquei ao Governador Germano Rigotto e aos demais membros da comitiva a necessidade de voltar para o Brasil ainda em tempo de participar das homenagens ao nosso Líder Brizola.
 Felizmente, consegui um plano de vôo Pequim-Frankfurt-São Paulo-Porto Alegre. Foram mais de trinta horas de viagem, mas consegui chegar por volta de 10 horas da manhã do dia 23 de junho, ainda em tempo de receber o corpo do Governador Leonel Brizola, no início da tarde, no Aeroporto Salgado Filho. Não poderia deixar de estar lá, porque, se uma só pessoa houvesse no Aeroporto Salgado Filho para receber o Governador Leonel Brizola, essa pessoa seria eu, haja vista os laços não só de liderado para líder que nos uniam, mas o respeito muito grande, pessoal, além de político que eu tinha com o Governador Leonel Brizola.
Acalentáramos uma relação muito próxima que se aprofundou desde 1994, quando me elegi pela primeira vez Deputado Estadual. Nossos contatos, desde aquela época, portanto, nos últimos dez anos, eram praticamente diários. Falamos por telefone na véspera de sua morte. Liguei para ele, de Pequim, porque estávamos vivendo o período das convenções partidárias e conversávamos sobre as alianças nas eleições municipais de Porto Alegre, do Rio de Janeiro e de outras capitais.
Ele estava bem, com a voz firme, dizia que se estava recuperando de uma indisposição que havia tido dias antes na cidade de Montevidéu. Lastimavelmente, na manhã seguinte, recebi a notícia da sua morte.
Meu primeiro contato pessoal com o Governador Leonel Brizola deu-se logo depois da sua chegada do exílio. Eu era Presidente do Centro Acadêmico André da Rocha, da Faculdade de Direito da UFRGS. Organizáramos um seminário intitulado Rumos da Oposição Brasileira.
 Nós, estudantes, com muita curiosidade, víamos o quadro político- partidário se formando. Nós, que havíamos crescido sob o bipartidarismo, estávamos sedentos por saber quais os partidos políticos que se reorganizariam com a reconquista da democracia no nosso País.
Trouxemos, então, para a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, os principais líderes nacionais dos partidos políticos que haviam-se reorganizado. Recordo-me de que no Plenário Farroupilha falou o líder Luiz Carlos Prestes sobre a reorganização do Partido Comunista. No Plenário João Neves da Fontoura, falou Leonel Brizola sobre a reorganização do PTB - Partido Trabalhista Brasileiro. Ainda não lhe haviam roubado a histórica sigla.
Era o ano de 1979, o Governador Leonel Brizola fez um pronunciamento sobre o que era o trabalhismo, os compromissos do trabalhismo, sobre sua trajetória histórica, sobre o Movimento de 64, enfim, sobre os grandes temas nacionais e internacionais. E eu, que, na época, tinha 19 anos de idade, era estudante, imediatamente me identifiquei com suas idéias, com o programa daquele Partido que se reorganizava, e, ali mesmo, naquela palestra, decidi que aquele seria o meu caminho político-partidário.
Em 1981, filiei-me ao Partido Democrático Trabalhista. Militei na juventude do Partido inicialmente, depois concorri a vereador, em 1982, nas primeiras eleições pós-Ditadura. Em 1986, assumi uma cadeira na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, ocasião em que tive oportunidade de prestar uma homenagem ao Governador Leonel Brizola.
Recordo bem o dia: era 27 de agosto de 1986. Essa data era muito significativa porque transcorriam 25 anos do Movimento da Legalidade. Aquele episódio histórico fez com que uma multidão tomasse a Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, em defesa da Constituição, em defesa do regime democrático, que estava ameaçado porque as elites da época não queriam que o Vice-Presidente da República eleito, João Goulart, assumisse os comandos do destino deste País, uma vez que Jânio Quadros havia renunciado.
Foi o então Governador Leonel Brizola, jovem Governador, na época com 39 anos de idade, que comandou aquele Movimento histórico que acabou garantindo a posse do Presidente João Goulart. Ali Leonel Brizola projetou-se nacional e internacionalmente, porque aquele foi um dos maiores movimentos cívico-populares que já teve registro na nossa história. Foi um Movimento que ganhou consciências em todo o País e que acabou vitorioso, mesmo que seu brilho tivesse sido empanado pelo casuísmo do parlamentarismo.
De qualquer maneira, o golpe foi abortado, e João Goulart assumiu a Presidência da República, graças à coragem, à ousadia, à liderança, à capacidade de mobilização popular que teve o então jovem Governador Leonel Brizola.
Destaco, daquele histórico dia, um trecho do discurso que fez Leonel Brizola quando tomou conhecimento de que o Palácio Piratini estava na iminência de um bombardeio. A ordem de bombardeio partiu do 3.º Exército, e Leonel Brizola, no histórico pronunciamento, dirigindo-se ao povo gaúcho, disse o seguinte:
"Povo de Porto Alegre, meus amigos do Rio Grande do Sul! Não desejo sacrificar ninguém, mas venham para a frente deste Palácio, numa demonstração de protesto contra essa loucura e esse desatino. Venham, e se eles quiserem cometer essa chacina, retirem-se, mas eu não me retirarei e aqui ficarei até o fim. Poderei ser esmagado. Poderei ser destruído. Poderei ser morto. Eu, a minha esposa e muitos amigos civis e militares do Rio Grande do Sul. Não importa. Ficará o nosso protesto, lavando a honra desta Nação. Aqui resistiremos até o fim. A morte é melhor do que vida sem honra, sem dignidade e sem glória".
 Essas foram as palavras corajosas do líder da Legalidade, Leonel Brizola, decisivas naquele momento histórico, para que as forças da reação e do conservadorismo recuassem e o Movimento triunfasse. A coragem e a liderança de Leonel Brizola estavam demonstradas para todo o País.
Honrado que fui com a condição de orador, distinguido pela família no túmulo do nosso Governador, no Município de São Borja, disse que Leonel Brizola tinha sido o maior Governador que o Rio Grande do Sul já teve. É verdade. Não foi a emoção do momento que me fez proferir aquelas palavras, mas os fatos históricos, suas obras, suas realizações, que atestam que aquela foi uma assertiva verdadeira. 
Me referi antes ao Movimento da Legalidade e tenho também de lembrar o maior plano de escolarização que este país já testemunhou. Foram 6.300 escolas construídas em apenas quatro anos de Governo. São quase 1.600 escolas por ano. Essa obra magnífica de um Governador apaixonado pela causa da educação lançou as bases para que o Rio Grande do Sul pudesse ser hoje o Estado que tem o melhor nível de qualidade de vida do País. Tenho certeza de que isso se deve àquelas escolas, pois fizeram com que fosse desprezível o índice de analfabetismo no Rio Grande do Sul comparado ao de outros Estados do País. Graças aos pesados investimentos que Leonel Brizola fez em educação, o Rio Grande do Sul tem atualmente essa condição ímpar no contexto nacional.
Leonel Brizola fez também uma reforma agrária que até os dias de hoje é considerada uma referência positiva. Está lá o Banhado do Colégio, no Município de Camaquã, eloqüentemente testemunhando que é possível fazer um plano de distribuição de terras que permita aos nossos trabalhadores vocacionados para a produção tirarem do seu pedaço de terra o seu sustento, assim contribuindo para o desenvolvimento do Estado e do País com os frutos do seu trabalho.
Foi no Governo de Leonel Brizola que tivemos a corajosa encampação das empresas multinacionais de energia elétrica e de telefonia que emperravam o processo de desenvolvimento econômico do nosso Estado. Corajosamente, desapropriou essas empresas, fundando a Companhia Estadual de Energia Elétrica - CEEE - e a Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações - CRT -, que foram fundamentais para o crescimento do nosso Estado ao longo das últimas décadas.
Poderia citar a Estrada da Produção, a Refinaria Alberto Pasqualini, a Aços Finos Piratini e tantas outras obras e realizações que fizeram com que o Governo Leonel Brizola, no Rio Grande do Sul, fosse um Governo que marcou época. S. Exa. fez jus ao título de maior Governador do Estado do Rio Grande do Sul, atributo que lhe conferi sem exagero algum.
 A Legalidade, em 1961, apenas adiou o golpe que viria três anos depois. Mil novecentos e sessenta e quatro foi marcado pelo Golpe Militar. Naquela época, diversos cidadãos e cidadãs brasileiros foram perseguidos e tiveram de viver no exterior, como foi o caso de Leonel Brizola.
 A propósito, dificilmente alguém foi mais perseguido ou teve a sua vida mais virada ao avesso pela Ditadura Militar do que o ex-Governador Leonel Brizola, quando invadiram a sua casa, reviraram as suas gavetas e remexeram em seus objetos pessoais à procura de algo que pudesse comprometê-lo. Nada! Absolutamente nada encontraram que pudesse sequer arranhar a honrada vida pública ou privada deste homem que recém havia governado o Rio Grande.
Portanto, além de ser um líder corajoso e ousado, um administrador de mão cheia, inovador, Leonel Brizola tinha essa marca, a marca da honradez, da probidade. Era daqueles homens públicos com a característica da retidão de conduta. Numa época em que muitos políticos se satisfazem com as migalhas do poder, o exemplo de Leonel Brizola se agiganta, porque foi um homem que, por fidelidade aos seus princípios, rompeu com os governos que ajudou a eleger - no Rio de Janeiro, com Anthony Garotinho; no plano federal, com Luiz Inácio Lula da Silva, pois tais governantes haviam-se afastado daqueles compromissos que levaram Leonel Brizola a apoiá-los nas suas respectivas eleições. Rompeu com os Poderes Estadual e Federal para ficar em paz com a sua consciência e fiel aos seus compromissos e princípios.
O que nos conforta nesta hora é saber que Leonel Brizola morreu fazendo aquilo de que mais gostava, aquilo que sabia fazer: política. Um dia antes de sua morte, recebia lideranças políticas, mesmo acamado, no seu apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro. Como predisse em vida, morreu como um cavalo inglês, morreu na cancha, morreu peleando, o que nos conforta.
O que nos animou muito também foi a solidariedade, a comoção popular que testemunhamos não só no Rio de Janeiro - Estado que governou por duas vezes e onde deixou talvez sua maior marca registrada, os CIEPs, as escolas de turno integral -, mas também em Porto Alegre e na cidade de São Borja, onde foi enterrado.
As multidões vieram se despedir do grande líder que, antes de tudo, era um patriota, outra de suas marcas registradas. A missa de sétimo dia, realizada na Igreja da Candelária foi concluída com o Hino da Independência, que Brizola costumava puxar pessoalmente ao encerrar os nossos principais atos partidários. Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil -, cantava com uma emoção que contagiava, contaminando a todos com seu patriotismo, com seu compromisso inabalável de defesa da soberania nacional.
O dia 21 de junho de 2004 vai ficar marcado na história do Brasil, assim como ficaram o 24 de agosto de 1954, quando nos deixou o grande estadista Getúlio Vargas, e o 06 de dezembro de 1976, quando nos deixou João Goulart. O 21 de junho de 2004 entrou definitivamente para a história nacional como a data em que partiu um dos nossos maiores líderes, daqueles que se vão, mas deixam para a eternidade um rastro de realizações e bons exemplos, guia seguro para quem quer fazer política com dignidade, coerência e firmeza de princípios, marcas registradas de Leonel de Moura Brizola.
(Depoimento em janeiro de 2005)

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Médico Clínico e Sanitarista - Doutor em Saúde Pública - Coronel Reformado do Quadro de Dentistas do Exército. Autor dos livros "Sistemismo Ecológico Cibernético", "Sistemas, Ambiente e Mecanismos de Controle" e da Tese de Livre-Docência: "Profilaxia dos Acidentes de Trânsito" - Professor Adjunto IV da Faculdade de Medicina (UFF) - Disciplinas: Epidemiologia, Saúde Comunitária e Sistemas de Saúde. Professor Titular de Metodologia da Pesquisa Científica - Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO). Presidete do Diretório Acadêmico da Faculdade Fluminense de Odontologia. Fundador do PDT, ao lado de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lupi, Wilson Fadul, Maria José Latgé, Eduardo Azeredo Costa, Alceu Colares, Trajano Ribeiro, Eduardo Chuy, Rosalda Paim e outros. Ex-Membro do Diretório Regional do PDT/RJ. Fundador do Movimento Verde do PDT/RJ. Foi Diretor-Geral do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária, da Secretaria de Estado de Saúde e Higiene/RJ, durante todo o primeiro mandato do Governador Brizola.