colaboração para a Folha Online
A 1º Zona Eleitoral do Rio Grande do Sul proibiu a campanha da deputada federal e candidata à Prefeitura de Porto Alegre, Manuela D'Ávila (PC do B), de usar imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua campanha de TV. A decisão foi divulgada ontem pelo juiz Ricardo Torres Hermann e o partido já entrou com recurso para tentar reverter a situação.
"Temos uma declaração genérica [de apoio], em vídeo, que foi encaminhada a todos os aliados. Não vamos mais utilizar, para não causar nenhuma intriga. Porém, temos várias imagens de arquivo da Manuela com o Lula da época da campanha presidencial. Isso nós vamos continuar usando", disse Adalberto Frasson, presidente do PC do B em Porto Alegre e um dos coordenadores da campanha.
A decisão da Justiça foi motivada por uma representação da coligação da candidata adversária, Maria do Rosário (PT), que alegou que Manuela é filiada a um partido adversário da legenda de Lula na eleição de Porto Alegre. Ao contrário de São Paulo, onde a candidata a prefeitura Marta Suplicy (PT) é coligada com o partido --que lançou Aldo Rebelo (PC do B) a vice--, em Porto Alegre os partidos disputam uma vaga no segundo turno.
Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostra as duas com 18%, numa acirrada disputa para chegar ao segundo turno, provavelmente contra o atual prefeito, José Fogaça (PMDB), que lidera com 33%.
Agora, você poderá ler, todos os dias, Notícias publicadas por todos os Jornais do Rio Grande do Sul, mesmo que este Blog não esteja atualizado. Basta clicar no terceiro LINK que está situado ao lado direito desta página, logo abaixo dos LINKS "Google News" e "edsonpaim.com.br" os quais, quando clicados, conduzem o leitor às últimas Notícias dos Municípios, dos Estados, do País e do Mundo, publicadas nessa trinca, constituindo um Jornal Diário Tríplice. CONFIRA!
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Comissão vê indícios de perseguição sistemática aos movimentos sociais no RS
Da Agência Brasil
Brasília - A Comissão Especial do Conselho de Defesa da Pessoa Humana, ligada à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, comprovou que realmente há possibilidade de estar em andamento um movimento articulado que tentar acabar com os movimentos sociais no Rio Grande do Sul. A afirmação foi feita hoje (10) pelo coordenador-geral do Programa Nacional de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos e também relator da comissão, Fernando Matos.
Ele garantiu que está “fartamente comprovado” o sinal de excessos na atuação da Brigada Militar – a Polícia Militar gaúcha - em relação aos movimentos sociais. “Ficou configurando a hipótese que gerou a vinda da comissão aqui no Rio Grande do Sul”.
Segundo Fernando Matos, a comissão vai se reunir com o Poder Judiciário, com o Ministério Público e com a governadora Yeda Crusius para analisar se esses são atos isolados ou se está em execução uma politica do governo do estado.
O principal objetivo da comissão é garantir o respeito aos direitos civis e as liberdades públicas e analisar a atuação da Brigada Militar em relação aos movimento sociais.
Brasília - A Comissão Especial do Conselho de Defesa da Pessoa Humana, ligada à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, comprovou que realmente há possibilidade de estar em andamento um movimento articulado que tentar acabar com os movimentos sociais no Rio Grande do Sul. A afirmação foi feita hoje (10) pelo coordenador-geral do Programa Nacional de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos e também relator da comissão, Fernando Matos.
Ele garantiu que está “fartamente comprovado” o sinal de excessos na atuação da Brigada Militar – a Polícia Militar gaúcha - em relação aos movimentos sociais. “Ficou configurando a hipótese que gerou a vinda da comissão aqui no Rio Grande do Sul”.
Segundo Fernando Matos, a comissão vai se reunir com o Poder Judiciário, com o Ministério Público e com a governadora Yeda Crusius para analisar se esses são atos isolados ou se está em execução uma politica do governo do estado.
O principal objetivo da comissão é garantir o respeito aos direitos civis e as liberdades públicas e analisar a atuação da Brigada Militar em relação aos movimento sociais.
terça-feira, 29 de julho de 2008
PT quer ampliar investigações sobre casa de Yeda
Agencia Estado
A deputada estadual Stela Farias (PT) pediu hoje ao procurador-geral do Ministério Público de Contas, Geraldo Da Camino, que amplie as investigações sobre a aquisição da casa da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). O PT considera que uma promessa de compra do imóvel por R$ 1 milhão, assinada pelo empresário José Luís Borsatto em agosto de 2006, indica que a aquisição feita por Yeda e seu marido, Carlos Crusius, em dezembro do mesmo ano, pode conter irregularidades porque o negócio foi registrado por um valor inferior, de R$ 750 mil.
Além disso, o partido quer que o Ministério Público de Contas verifique se o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) lançou na conta de provisão de créditos de liquidação duvidosa dívidas que o vendedor do imóvel, Eduardo Laranja da Fonseca, teria com a instituição.
O advogado Paulo Olímpio Gomes de Souza, representante da governadora e do marido dela, considera a promessa de compra de Borsatto como inválida porque não está assinada por Fonseca. Ele também sustenta que o vendedor queria o pagamento em dinheiro, enquanto o empresário oferecia um imóvel para quitar a maior parte do negócio. Lembra ainda que em outubro de 2006 a casa foi oferecida em anúncios por R$ 850 mil.
A compra da casa de Yeda foi objeto de polêmica durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Em depoimento aos deputados, o delegado da Polícia Civil Luiz Fernando Tubino disse ter conhecimento de que o empresário tucano Lair Ferst teria pago R$ 400 mil do negócio emitindo um cheque honrado com sobras da campanha. Mas admitiu não ter provas. Da Camino começou a analisar o caso hoje e deve se pronunciar em 15 dias
A deputada estadual Stela Farias (PT) pediu hoje ao procurador-geral do Ministério Público de Contas, Geraldo Da Camino, que amplie as investigações sobre a aquisição da casa da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). O PT considera que uma promessa de compra do imóvel por R$ 1 milhão, assinada pelo empresário José Luís Borsatto em agosto de 2006, indica que a aquisição feita por Yeda e seu marido, Carlos Crusius, em dezembro do mesmo ano, pode conter irregularidades porque o negócio foi registrado por um valor inferior, de R$ 750 mil.
Além disso, o partido quer que o Ministério Público de Contas verifique se o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) lançou na conta de provisão de créditos de liquidação duvidosa dívidas que o vendedor do imóvel, Eduardo Laranja da Fonseca, teria com a instituição.
O advogado Paulo Olímpio Gomes de Souza, representante da governadora e do marido dela, considera a promessa de compra de Borsatto como inválida porque não está assinada por Fonseca. Ele também sustenta que o vendedor queria o pagamento em dinheiro, enquanto o empresário oferecia um imóvel para quitar a maior parte do negócio. Lembra ainda que em outubro de 2006 a casa foi oferecida em anúncios por R$ 850 mil.
A compra da casa de Yeda foi objeto de polêmica durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Em depoimento aos deputados, o delegado da Polícia Civil Luiz Fernando Tubino disse ter conhecimento de que o empresário tucano Lair Ferst teria pago R$ 400 mil do negócio emitindo um cheque honrado com sobras da campanha. Mas admitiu não ter provas. Da Camino começou a analisar o caso hoje e deve se pronunciar em 15 dias
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Maria do Rosário e Manuela empatam em segundo lugar em Porto Alegre, diz pesquisa
da Agência Folha, em Porto Alegre
Pesquisa do Instituto Methodus, encomendada pelo jornal "Correio do Povo", aponta tendência de segundo turno na eleição para a Prefeitura de Porto Alegre. José Fogaça (PMDB), que tenta a reeleição, lidera as intenções de voto.
A pesquisa ouviu 1.050 pessoas nos dias 24 e 25 de junho, tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais e foi registrada na Justiça Eleitoral de Porto Alegre sob o número 06/2008. O levantamento não incluiu o nome do tucano Nelson Marchezan Júnior, cuja participação como candidato só foi confirmada ontem.
Na pesquisa estimulada, em que o entrevistado recebe uma lista com os nomes dos candidatos, Fogaça aparece com 28,1% das intenções de voto. Na briga pelo segundo lugar, estão a petista Maria do Rosário (19,6%) e a candidata do PC do B, Manuela D'Ávila (18,3%), enquanto Luciana Genro (PSOL) e Onyx Lorenzoni (DEM) estão empatados com 8,6%.
O índice dos que não sabem em quem votar é de 8,1% e votos brancos e nulos é de 8,8%.
A pesquisa espontânea, em que o eleitor escolhe sem que lhe seja apresentada nenhuma opção, revela que 72% dos entrevistados ainda não escolheram o seu candidato.
Nesta modalidade, Fogaça também desponta como líder (9,2%), sendo seguido por Manuela (4,6%) e Maria do Rosário (4,5%). Onyx e Luciana Genro empatam com 1%.
A rejeição de Fogaça também é maior: 31,8% dos entrevistados disseram que não votariam no atual prefeito. Onyx enfrenta rejeição de 24,3%; Maria do Rosário, de 21,7%; Luciana Genro, de 20,5%; e Manuela D'Ávila, de 15,8%.
Uol Notícias
Pesquisa do Instituto Methodus, encomendada pelo jornal "Correio do Povo", aponta tendência de segundo turno na eleição para a Prefeitura de Porto Alegre. José Fogaça (PMDB), que tenta a reeleição, lidera as intenções de voto.
A pesquisa ouviu 1.050 pessoas nos dias 24 e 25 de junho, tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais e foi registrada na Justiça Eleitoral de Porto Alegre sob o número 06/2008. O levantamento não incluiu o nome do tucano Nelson Marchezan Júnior, cuja participação como candidato só foi confirmada ontem.
Na pesquisa estimulada, em que o entrevistado recebe uma lista com os nomes dos candidatos, Fogaça aparece com 28,1% das intenções de voto. Na briga pelo segundo lugar, estão a petista Maria do Rosário (19,6%) e a candidata do PC do B, Manuela D'Ávila (18,3%), enquanto Luciana Genro (PSOL) e Onyx Lorenzoni (DEM) estão empatados com 8,6%.
O índice dos que não sabem em quem votar é de 8,1% e votos brancos e nulos é de 8,8%.
A pesquisa espontânea, em que o eleitor escolhe sem que lhe seja apresentada nenhuma opção, revela que 72% dos entrevistados ainda não escolheram o seu candidato.
Nesta modalidade, Fogaça também desponta como líder (9,2%), sendo seguido por Manuela (4,6%) e Maria do Rosário (4,5%). Onyx e Luciana Genro empatam com 1%.
A rejeição de Fogaça também é maior: 31,8% dos entrevistados disseram que não votariam no atual prefeito. Onyx enfrenta rejeição de 24,3%; Maria do Rosário, de 21,7%; Luciana Genro, de 20,5%; e Manuela D'Ávila, de 15,8%.
Uol Notícias
domingo, 29 de junho de 2008
PMDB homologa candidato em Porto Alegre e espera apoio dos tucanos
GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre
O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, será homologado neste domingo pelo PMDB como candidato à reeleição. Fogaça, que em 2004 desbancou a hegemonia de 16 anos do PT, vai disputar a eleição aliado ao PDT e PTB. O prefeito ainda espera o apoio do PSDB, partido da governadora Yeda Crusius, que também realiza convenção hoje. Mas os tucanos estão fortemente divididos.
A marca da crise política atravessada por Yeda após um escândalo de corrupção que envolveu desvio de R$ 44 milhões no Detran paira sobre a convenção tucana.
Yeda opera para que o partido suba no palanque de Fogaça, fortalecendo o laço entre o PMDB, seu principal aliado, e seu governo, mas o diretório municipal do PSDB movimenta-se em outras direções: a candidatura do deputado estadual Nelson Marchezan Júnior ou o apoio ao deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM).
Lorenzoni já foi oficializado candidato com o apoio do PP. As outras candidatas são Maria do Rosário (PT), Manuela D'Ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL).
da Agência Folha, em Porto Alegre
O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, será homologado neste domingo pelo PMDB como candidato à reeleição. Fogaça, que em 2004 desbancou a hegemonia de 16 anos do PT, vai disputar a eleição aliado ao PDT e PTB. O prefeito ainda espera o apoio do PSDB, partido da governadora Yeda Crusius, que também realiza convenção hoje. Mas os tucanos estão fortemente divididos.
A marca da crise política atravessada por Yeda após um escândalo de corrupção que envolveu desvio de R$ 44 milhões no Detran paira sobre a convenção tucana.
Yeda opera para que o partido suba no palanque de Fogaça, fortalecendo o laço entre o PMDB, seu principal aliado, e seu governo, mas o diretório municipal do PSDB movimenta-se em outras direções: a candidatura do deputado estadual Nelson Marchezan Júnior ou o apoio ao deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM).
Lorenzoni já foi oficializado candidato com o apoio do PP. As outras candidatas são Maria do Rosário (PT), Manuela D'Ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL).
domingo, 8 de junho de 2008
Universitária ganha título de Miss Rio Grande do Sul
Alexandre Godinho

Bruna foi eleita a mulher mais bonita do RS (Foto: Alexandre Godinho)
Estado foi o primeiro a escolher candidata para o Miss Brasil 2009.
Do G1, em São Paulo, com informações do ClicRBS*
A estudante Bruna Gabriele Felisberto, de 21 anos, foi a vencedora do Miss Rio Grande do Sul 2009, realizado no sábado (7), em Gramado. Ela foi escolhida entre 53 candidatas para representar o estado no Miss Brasil 2009 e tentar o bicampeonato. A Miss Brasil Natália Anderle levou o título na última edição do concurso.
Bruna, que faz o curso de biomedicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), ganhou uma bolsa de estudos, além da faixa e da coroa. Segundo a assessoria de imprensa do evento, atualmente, a miss mora em Porto Alegre, mas representou a cidade de Xangri-lá.
A candidata de Novo Hamburgo, Aline Motta Capra, ficou em segundo lugar, seguida pela Miss Cachoeira do Sul, Thiana Borchhardt Muller.
O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado a eleger sua representante para o concurso nacional de 2009.
*(Com informações do Zerohora.com)

Bruna foi eleita a mulher mais bonita do RS (Foto: Alexandre Godinho)
Estado foi o primeiro a escolher candidata para o Miss Brasil 2009.
Do G1, em São Paulo, com informações do ClicRBS*
A estudante Bruna Gabriele Felisberto, de 21 anos, foi a vencedora do Miss Rio Grande do Sul 2009, realizado no sábado (7), em Gramado. Ela foi escolhida entre 53 candidatas para representar o estado no Miss Brasil 2009 e tentar o bicampeonato. A Miss Brasil Natália Anderle levou o título na última edição do concurso.
Bruna, que faz o curso de biomedicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), ganhou uma bolsa de estudos, além da faixa e da coroa. Segundo a assessoria de imprensa do evento, atualmente, a miss mora em Porto Alegre, mas representou a cidade de Xangri-lá.
A candidata de Novo Hamburgo, Aline Motta Capra, ficou em segundo lugar, seguida pela Miss Cachoeira do Sul, Thiana Borchhardt Muller.
O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado a eleger sua representante para o concurso nacional de 2009.
*(Com informações do Zerohora.com)
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Os gaúchos chegaram - Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo
Nós costumamos chegar com a sutileza de uma frente fria e a voracidade de uma nuvem de gafanhotos em jejum. A disposição para negociar com os nativos é mais ou menos similar à dos alienígenas do Independence Day. Desde o oeste de Santa Catarina até os arrozais de Roraima, do litoral do Uruguai ao cerrado do Mato Grosso lá estamos nós, com o chimarrão e térmica em punho, mostrando a que viemos. E agora, meus prezados paulistanos, até aqui, terra da ex-garoa e do trânsito sem solução, nós chegamos.
Na verdade, já estávamos por aqui há tempos. Vocês consumiam nossos rodízios de carnes nem se davam conta de que este movimento era apenas a vanguarda. Os talheres já eram Tramontina ou Hércules há horas, as suas meninas vinham usando Melissas, suas construções usavam aços Gerdau, vocês voavam a mil pelo Brasil nos aviões da nossa Varig e nem percebiam que tudo isso fazia parte de um plano. Há alguns anos compram na Lojas Renner achando que aquilo tudo ali à disposição era uma forma de varejo bem sucedido. Abasteciam seus carros nos postos Ipiranga, achavam que Tio João era apenas uma marca de arroz; o bumba era quase sempre Marcopolo, mas tudo não passaria de uma estranha coincidência?
Na verdade, os gaúchos estavam apenas aguardando o momento certo para mostrar que chegaram e prontos para impor seu estilo de vida. Vocês a partir de agora vão poder torcer por um de dois times, escolham quais vão ser eliminados. Quem insistir em torcer para um outro time será exportado para campos de reeducação no Paraná. Nada de outros partidos políticos que não um de direita e outro de esquerda, ou algo assim.
Comecem a se acostumar com quatro estações por ano, porque essa é uma necessidade básica de um povo que tenha apenas um assunto para utilizar nos táxis. Que passarão a ser Mille e dirigidos por um sujeito invariavelmente mal-barbeado e que sempre vota no Brizola. Seus filhos vão ter mais um item no currículo escolar, que é História do Rio Grande, e vão chegar em casa tendo aprendido a música e letra do Hino da Gloriosa Revolução Farroupilha.
O dia 20 de setembro passa a ser data nacional aqui também e suas mulheres vão ter que treinar para disputar o valiosíssimo troféu de A Mais Prendada Prenda. Aprendam logo o que é prenda, para pouparmos valioso tempo de adaptação aos novos costumes. Vocês terão que aprender a usar expressões suaves como 'mais grosso que dedo destroncado' e 'frio de renguear cusco'. Aprendam o que é um cusco. Aproveitem logo para aprender o que quer dizer 'renguear' porque o frio logo, logo vem aí. Ao receberem um bom dinheiro de forma inesperada aprendam a berrar 'Hoje não tem china triste!'.
Desde já ninguém mais pode se referir ao Rio Grande como 'Sul', uma vez que aqui e todos os demais lugares onde estivermos passam a ser o centro do mundo. Sul agora deve ser algum lugar pro lado da Patagônia. Norte é tudo que fique acima da Via Dutra e Oeste fica para os lados da plantação de soja mais próxima. Leste fica pras bandas do mar, e se existe uma coisa que não nos interessa é água salgada e fria. Dizem que existem outras formas de mar, mas certamente isso é algo que nunca vimos.
O que eu estou afirmando é a pura e simples verdade. Completamos o círculo e nos sentimos fortes o bastante para afirmar a nossa presença aqui em São Paulo com a mesma sem-cerimônia com que ocupamos os planaltos da Bahia. Se havia alguma dúvida, basta irem até o nosso novo templo, objeto de reverência e peregrinação daqui pra frente. O Bourbon Shopping Pompéia, onde reluz, em toda a sua gauchidade, o supermercado Zaffari.
Se alguém tem dúvidas se a invasão é um fato, visitem o Zaffari. Sejam como os sapos que saltam da panela em aquecimento, e não aqueles que nada percebem até que seja tarde demais. Olhem a seção de frutas. Está no cartaz: 'Bergamotas'. Abaixo, em letras pequeninas e numa concessão aos povos ainda não reeducados, 'tangerina', ou 'mexerica', ou algo assim, em português. Na padaria, vão ver que sobre os pãezinhos está escrito o novo nome que todos passarão a usar: cacetinho. Isso mesmo.
Testem o que eu digo. Vão até a confeitaria e perguntem se tem 'cueca-virada'. Vai ter. Vão encontrar Pastelina, o melhor salgadinho com gosto questionável do planeta. Nata Piá e Erva Barão.Cerveja Polar, aquela que não poderia ser vendida acima do rio Pelotas. Agora pode.
Sacudimos as sutilezas e colocamos as garras de fora. Vocês vão passar a se sentir em um outro mundo. Um mundo bem mais simples, com valores cantados em prosa e versos de qualidade duvidosa da nossa música gaudéria, a única que as rádios agora poderão tocar, naturalmente. Nós, de nossa parte, estaremos aqui da mesma maneira em que sempre estamos em todos os outros lugares. Como se estivéssemos em casa, na querência, no pago, no nosso habitat natural que é qualquer lugar onde estejamos e nos deixem inaugurar um Centro de Tradições. Até em Tóquio, sempre os mesmos, imperialistas e sem muita noção do que fazemos, com nossas bandeirinhas nos automóveis e nossas churrasqueiras na varanda do apartamento, que agora passam a ser parte obrigatória de cada residência, ou nada de 'Habite-se.
Estaremos aqui como estamos em todos os lugares. Sem fazer uma idéia muito completa do que acontece ao nosso redor, e simplesmente desinteressados do que quer que seja para saber se onde estamos faz, afinal, alguma diferença nas nossas vidas.
Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem 'O Branco', premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos 'Simples' e o romance 'O Nosso Juiz', pela editora Record. Acaba de escrever o romance 'Depois do Sexo', que será publicado em setembro pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances 'Insônia' e 'Antes que o Mundo Acabe'.
Fale com Marcelo Carneiro da Cunha: marceloccunha@terra.com.br
Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo
Nós costumamos chegar com a sutileza de uma frente fria e a voracidade de uma nuvem de gafanhotos em jejum. A disposição para negociar com os nativos é mais ou menos similar à dos alienígenas do Independence Day. Desde o oeste de Santa Catarina até os arrozais de Roraima, do litoral do Uruguai ao cerrado do Mato Grosso lá estamos nós, com o chimarrão e térmica em punho, mostrando a que viemos. E agora, meus prezados paulistanos, até aqui, terra da ex-garoa e do trânsito sem solução, nós chegamos.
Na verdade, já estávamos por aqui há tempos. Vocês consumiam nossos rodízios de carnes nem se davam conta de que este movimento era apenas a vanguarda. Os talheres já eram Tramontina ou Hércules há horas, as suas meninas vinham usando Melissas, suas construções usavam aços Gerdau, vocês voavam a mil pelo Brasil nos aviões da nossa Varig e nem percebiam que tudo isso fazia parte de um plano. Há alguns anos compram na Lojas Renner achando que aquilo tudo ali à disposição era uma forma de varejo bem sucedido. Abasteciam seus carros nos postos Ipiranga, achavam que Tio João era apenas uma marca de arroz; o bumba era quase sempre Marcopolo, mas tudo não passaria de uma estranha coincidência?
Na verdade, os gaúchos estavam apenas aguardando o momento certo para mostrar que chegaram e prontos para impor seu estilo de vida. Vocês a partir de agora vão poder torcer por um de dois times, escolham quais vão ser eliminados. Quem insistir em torcer para um outro time será exportado para campos de reeducação no Paraná. Nada de outros partidos políticos que não um de direita e outro de esquerda, ou algo assim.
Comecem a se acostumar com quatro estações por ano, porque essa é uma necessidade básica de um povo que tenha apenas um assunto para utilizar nos táxis. Que passarão a ser Mille e dirigidos por um sujeito invariavelmente mal-barbeado e que sempre vota no Brizola. Seus filhos vão ter mais um item no currículo escolar, que é História do Rio Grande, e vão chegar em casa tendo aprendido a música e letra do Hino da Gloriosa Revolução Farroupilha.
O dia 20 de setembro passa a ser data nacional aqui também e suas mulheres vão ter que treinar para disputar o valiosíssimo troféu de A Mais Prendada Prenda. Aprendam logo o que é prenda, para pouparmos valioso tempo de adaptação aos novos costumes. Vocês terão que aprender a usar expressões suaves como 'mais grosso que dedo destroncado' e 'frio de renguear cusco'. Aprendam o que é um cusco. Aproveitem logo para aprender o que quer dizer 'renguear' porque o frio logo, logo vem aí. Ao receberem um bom dinheiro de forma inesperada aprendam a berrar 'Hoje não tem china triste!'.
Desde já ninguém mais pode se referir ao Rio Grande como 'Sul', uma vez que aqui e todos os demais lugares onde estivermos passam a ser o centro do mundo. Sul agora deve ser algum lugar pro lado da Patagônia. Norte é tudo que fique acima da Via Dutra e Oeste fica para os lados da plantação de soja mais próxima. Leste fica pras bandas do mar, e se existe uma coisa que não nos interessa é água salgada e fria. Dizem que existem outras formas de mar, mas certamente isso é algo que nunca vimos.
O que eu estou afirmando é a pura e simples verdade. Completamos o círculo e nos sentimos fortes o bastante para afirmar a nossa presença aqui em São Paulo com a mesma sem-cerimônia com que ocupamos os planaltos da Bahia. Se havia alguma dúvida, basta irem até o nosso novo templo, objeto de reverência e peregrinação daqui pra frente. O Bourbon Shopping Pompéia, onde reluz, em toda a sua gauchidade, o supermercado Zaffari.
Se alguém tem dúvidas se a invasão é um fato, visitem o Zaffari. Sejam como os sapos que saltam da panela em aquecimento, e não aqueles que nada percebem até que seja tarde demais. Olhem a seção de frutas. Está no cartaz: 'Bergamotas'. Abaixo, em letras pequeninas e numa concessão aos povos ainda não reeducados, 'tangerina', ou 'mexerica', ou algo assim, em português. Na padaria, vão ver que sobre os pãezinhos está escrito o novo nome que todos passarão a usar: cacetinho. Isso mesmo.
Testem o que eu digo. Vão até a confeitaria e perguntem se tem 'cueca-virada'. Vai ter. Vão encontrar Pastelina, o melhor salgadinho com gosto questionável do planeta. Nata Piá e Erva Barão.Cerveja Polar, aquela que não poderia ser vendida acima do rio Pelotas. Agora pode.
Sacudimos as sutilezas e colocamos as garras de fora. Vocês vão passar a se sentir em um outro mundo. Um mundo bem mais simples, com valores cantados em prosa e versos de qualidade duvidosa da nossa música gaudéria, a única que as rádios agora poderão tocar, naturalmente. Nós, de nossa parte, estaremos aqui da mesma maneira em que sempre estamos em todos os outros lugares. Como se estivéssemos em casa, na querência, no pago, no nosso habitat natural que é qualquer lugar onde estejamos e nos deixem inaugurar um Centro de Tradições. Até em Tóquio, sempre os mesmos, imperialistas e sem muita noção do que fazemos, com nossas bandeirinhas nos automóveis e nossas churrasqueiras na varanda do apartamento, que agora passam a ser parte obrigatória de cada residência, ou nada de 'Habite-se.
Estaremos aqui como estamos em todos os lugares. Sem fazer uma idéia muito completa do que acontece ao nosso redor, e simplesmente desinteressados do que quer que seja para saber se onde estamos faz, afinal, alguma diferença nas nossas vidas.
Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem 'O Branco', premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos 'Simples' e o romance 'O Nosso Juiz', pela editora Record. Acaba de escrever o romance 'Depois do Sexo', que será publicado em setembro pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances 'Insônia' e 'Antes que o Mundo Acabe'.
Fale com Marcelo Carneiro da Cunha: marceloccunha@terra.com.br
Nós costumamos chegar com a sutileza de uma frente fria e a voracidade de uma nuvem de gafanhotos em jejum. A disposição para negociar com os nativos é mais ou menos similar à dos alienígenas do Independence Day. Desde o oeste de Santa Catarina até os arrozais de Roraima, do litoral do Uruguai ao cerrado do Mato Grosso lá estamos nós, com o chimarrão e térmica em punho, mostrando a que viemos. E agora, meus prezados paulistanos, até aqui, terra da ex-garoa e do trânsito sem solução, nós chegamos.
Na verdade, já estávamos por aqui há tempos. Vocês consumiam nossos rodízios de carnes nem se davam conta de que este movimento era apenas a vanguarda. Os talheres já eram Tramontina ou Hércules há horas, as suas meninas vinham usando Melissas, suas construções usavam aços Gerdau, vocês voavam a mil pelo Brasil nos aviões da nossa Varig e nem percebiam que tudo isso fazia parte de um plano. Há alguns anos compram na Lojas Renner achando que aquilo tudo ali à disposição era uma forma de varejo bem sucedido. Abasteciam seus carros nos postos Ipiranga, achavam que Tio João era apenas uma marca de arroz; o bumba era quase sempre Marcopolo, mas tudo não passaria de uma estranha coincidência?
Na verdade, os gaúchos estavam apenas aguardando o momento certo para mostrar que chegaram e prontos para impor seu estilo de vida. Vocês a partir de agora vão poder torcer por um de dois times, escolham quais vão ser eliminados. Quem insistir em torcer para um outro time será exportado para campos de reeducação no Paraná. Nada de outros partidos políticos que não um de direita e outro de esquerda, ou algo assim.
Comecem a se acostumar com quatro estações por ano, porque essa é uma necessidade básica de um povo que tenha apenas um assunto para utilizar nos táxis. Que passarão a ser Mille e dirigidos por um sujeito invariavelmente mal-barbeado e que sempre vota no Brizola. Seus filhos vão ter mais um item no currículo escolar, que é História do Rio Grande, e vão chegar em casa tendo aprendido a música e letra do Hino da Gloriosa Revolução Farroupilha.
O dia 20 de setembro passa a ser data nacional aqui também e suas mulheres vão ter que treinar para disputar o valiosíssimo troféu de A Mais Prendada Prenda. Aprendam logo o que é prenda, para pouparmos valioso tempo de adaptação aos novos costumes. Vocês terão que aprender a usar expressões suaves como 'mais grosso que dedo destroncado' e 'frio de renguear cusco'. Aprendam o que é um cusco. Aproveitem logo para aprender o que quer dizer 'renguear' porque o frio logo, logo vem aí. Ao receberem um bom dinheiro de forma inesperada aprendam a berrar 'Hoje não tem china triste!'.
Desde já ninguém mais pode se referir ao Rio Grande como 'Sul', uma vez que aqui e todos os demais lugares onde estivermos passam a ser o centro do mundo. Sul agora deve ser algum lugar pro lado da Patagônia. Norte é tudo que fique acima da Via Dutra e Oeste fica para os lados da plantação de soja mais próxima. Leste fica pras bandas do mar, e se existe uma coisa que não nos interessa é água salgada e fria. Dizem que existem outras formas de mar, mas certamente isso é algo que nunca vimos.
O que eu estou afirmando é a pura e simples verdade. Completamos o círculo e nos sentimos fortes o bastante para afirmar a nossa presença aqui em São Paulo com a mesma sem-cerimônia com que ocupamos os planaltos da Bahia. Se havia alguma dúvida, basta irem até o nosso novo templo, objeto de reverência e peregrinação daqui pra frente. O Bourbon Shopping Pompéia, onde reluz, em toda a sua gauchidade, o supermercado Zaffari.
Se alguém tem dúvidas se a invasão é um fato, visitem o Zaffari. Sejam como os sapos que saltam da panela em aquecimento, e não aqueles que nada percebem até que seja tarde demais. Olhem a seção de frutas. Está no cartaz: 'Bergamotas'. Abaixo, em letras pequeninas e numa concessão aos povos ainda não reeducados, 'tangerina', ou 'mexerica', ou algo assim, em português. Na padaria, vão ver que sobre os pãezinhos está escrito o novo nome que todos passarão a usar: cacetinho. Isso mesmo.
Testem o que eu digo. Vão até a confeitaria e perguntem se tem 'cueca-virada'. Vai ter. Vão encontrar Pastelina, o melhor salgadinho com gosto questionável do planeta. Nata Piá e Erva Barão.Cerveja Polar, aquela que não poderia ser vendida acima do rio Pelotas. Agora pode.
Sacudimos as sutilezas e colocamos as garras de fora. Vocês vão passar a se sentir em um outro mundo. Um mundo bem mais simples, com valores cantados em prosa e versos de qualidade duvidosa da nossa música gaudéria, a única que as rádios agora poderão tocar, naturalmente. Nós, de nossa parte, estaremos aqui da mesma maneira em que sempre estamos em todos os outros lugares. Como se estivéssemos em casa, na querência, no pago, no nosso habitat natural que é qualquer lugar onde estejamos e nos deixem inaugurar um Centro de Tradições. Até em Tóquio, sempre os mesmos, imperialistas e sem muita noção do que fazemos, com nossas bandeirinhas nos automóveis e nossas churrasqueiras na varanda do apartamento, que agora passam a ser parte obrigatória de cada residência, ou nada de 'Habite-se.
Estaremos aqui como estamos em todos os lugares. Sem fazer uma idéia muito completa do que acontece ao nosso redor, e simplesmente desinteressados do que quer que seja para saber se onde estamos faz, afinal, alguma diferença nas nossas vidas.
Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem 'O Branco', premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos 'Simples' e o romance 'O Nosso Juiz', pela editora Record. Acaba de escrever o romance 'Depois do Sexo', que será publicado em setembro pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances 'Insônia' e 'Antes que o Mundo Acabe'.
Fale com Marcelo Carneiro da Cunha: marceloccunha@terra.com.br
Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo
Nós costumamos chegar com a sutileza de uma frente fria e a voracidade de uma nuvem de gafanhotos em jejum. A disposição para negociar com os nativos é mais ou menos similar à dos alienígenas do Independence Day. Desde o oeste de Santa Catarina até os arrozais de Roraima, do litoral do Uruguai ao cerrado do Mato Grosso lá estamos nós, com o chimarrão e térmica em punho, mostrando a que viemos. E agora, meus prezados paulistanos, até aqui, terra da ex-garoa e do trânsito sem solução, nós chegamos.
Na verdade, já estávamos por aqui há tempos. Vocês consumiam nossos rodízios de carnes nem se davam conta de que este movimento era apenas a vanguarda. Os talheres já eram Tramontina ou Hércules há horas, as suas meninas vinham usando Melissas, suas construções usavam aços Gerdau, vocês voavam a mil pelo Brasil nos aviões da nossa Varig e nem percebiam que tudo isso fazia parte de um plano. Há alguns anos compram na Lojas Renner achando que aquilo tudo ali à disposição era uma forma de varejo bem sucedido. Abasteciam seus carros nos postos Ipiranga, achavam que Tio João era apenas uma marca de arroz; o bumba era quase sempre Marcopolo, mas tudo não passaria de uma estranha coincidência?
Na verdade, os gaúchos estavam apenas aguardando o momento certo para mostrar que chegaram e prontos para impor seu estilo de vida. Vocês a partir de agora vão poder torcer por um de dois times, escolham quais vão ser eliminados. Quem insistir em torcer para um outro time será exportado para campos de reeducação no Paraná. Nada de outros partidos políticos que não um de direita e outro de esquerda, ou algo assim.
Comecem a se acostumar com quatro estações por ano, porque essa é uma necessidade básica de um povo que tenha apenas um assunto para utilizar nos táxis. Que passarão a ser Mille e dirigidos por um sujeito invariavelmente mal-barbeado e que sempre vota no Brizola. Seus filhos vão ter mais um item no currículo escolar, que é História do Rio Grande, e vão chegar em casa tendo aprendido a música e letra do Hino da Gloriosa Revolução Farroupilha.
O dia 20 de setembro passa a ser data nacional aqui também e suas mulheres vão ter que treinar para disputar o valiosíssimo troféu de A Mais Prendada Prenda. Aprendam logo o que é prenda, para pouparmos valioso tempo de adaptação aos novos costumes. Vocês terão que aprender a usar expressões suaves como 'mais grosso que dedo destroncado' e 'frio de renguear cusco'. Aprendam o que é um cusco. Aproveitem logo para aprender o que quer dizer 'renguear' porque o frio logo, logo vem aí. Ao receberem um bom dinheiro de forma inesperada aprendam a berrar 'Hoje não tem china triste!'.
Desde já ninguém mais pode se referir ao Rio Grande como 'Sul', uma vez que aqui e todos os demais lugares onde estivermos passam a ser o centro do mundo. Sul agora deve ser algum lugar pro lado da Patagônia. Norte é tudo que fique acima da Via Dutra e Oeste fica para os lados da plantação de soja mais próxima. Leste fica pras bandas do mar, e se existe uma coisa que não nos interessa é água salgada e fria. Dizem que existem outras formas de mar, mas certamente isso é algo que nunca vimos.
O que eu estou afirmando é a pura e simples verdade. Completamos o círculo e nos sentimos fortes o bastante para afirmar a nossa presença aqui em São Paulo com a mesma sem-cerimônia com que ocupamos os planaltos da Bahia. Se havia alguma dúvida, basta irem até o nosso novo templo, objeto de reverência e peregrinação daqui pra frente. O Bourbon Shopping Pompéia, onde reluz, em toda a sua gauchidade, o supermercado Zaffari.
Se alguém tem dúvidas se a invasão é um fato, visitem o Zaffari. Sejam como os sapos que saltam da panela em aquecimento, e não aqueles que nada percebem até que seja tarde demais. Olhem a seção de frutas. Está no cartaz: 'Bergamotas'. Abaixo, em letras pequeninas e numa concessão aos povos ainda não reeducados, 'tangerina', ou 'mexerica', ou algo assim, em português. Na padaria, vão ver que sobre os pãezinhos está escrito o novo nome que todos passarão a usar: cacetinho. Isso mesmo.
Testem o que eu digo. Vão até a confeitaria e perguntem se tem 'cueca-virada'. Vai ter. Vão encontrar Pastelina, o melhor salgadinho com gosto questionável do planeta. Nata Piá e Erva Barão.Cerveja Polar, aquela que não poderia ser vendida acima do rio Pelotas. Agora pode.
Sacudimos as sutilezas e colocamos as garras de fora. Vocês vão passar a se sentir em um outro mundo. Um mundo bem mais simples, com valores cantados em prosa e versos de qualidade duvidosa da nossa música gaudéria, a única que as rádios agora poderão tocar, naturalmente. Nós, de nossa parte, estaremos aqui da mesma maneira em que sempre estamos em todos os outros lugares. Como se estivéssemos em casa, na querência, no pago, no nosso habitat natural que é qualquer lugar onde estejamos e nos deixem inaugurar um Centro de Tradições. Até em Tóquio, sempre os mesmos, imperialistas e sem muita noção do que fazemos, com nossas bandeirinhas nos automóveis e nossas churrasqueiras na varanda do apartamento, que agora passam a ser parte obrigatória de cada residência, ou nada de 'Habite-se.
Estaremos aqui como estamos em todos os lugares. Sem fazer uma idéia muito completa do que acontece ao nosso redor, e simplesmente desinteressados do que quer que seja para saber se onde estamos faz, afinal, alguma diferença nas nossas vidas.
Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem 'O Branco', premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos 'Simples' e o romance 'O Nosso Juiz', pela editora Record. Acaba de escrever o romance 'Depois do Sexo', que será publicado em setembro pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances 'Insônia' e 'Antes que o Mundo Acabe'.
Fale com Marcelo Carneiro da Cunha: marceloccunha@terra.com.br
Assinar:
Postagens (Atom)
Arquivo do blog
Quem sou eu
- Blog do Paim
- Médico Clínico e Sanitarista - Doutor em Saúde Pública - Coronel Reformado do Quadro de Dentistas do Exército. Autor dos livros "Sistemismo Ecológico Cibernético", "Sistemas, Ambiente e Mecanismos de Controle" e da Tese de Livre-Docência: "Profilaxia dos Acidentes de Trânsito" - Professor Adjunto IV da Faculdade de Medicina (UFF) - Disciplinas: Epidemiologia, Saúde Comunitária e Sistemas de Saúde. Professor Titular de Metodologia da Pesquisa Científica - Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO). Presidete do Diretório Acadêmico da Faculdade Fluminense de Odontologia. Fundador do PDT, ao lado de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lupi, Wilson Fadul, Maria José Latgé, Eduardo Azeredo Costa, Alceu Colares, Trajano Ribeiro, Eduardo Chuy, Rosalda Paim e outros. Ex-Membro do Diretório Regional do PDT/RJ. Fundador do Movimento Verde do PDT/RJ. Foi Diretor-Geral do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária, da Secretaria de Estado de Saúde e Higiene/RJ, durante todo o primeiro mandato do Governador Brizola.