segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Vice do PSB recebe apoio da indústria bélica e constrange Marina

25/8/2014 15:03
Por Redação - do Rio de Janeiro e São Paulo

Beto Albuquerque encerra seu mandato como deputado federal nesta legislatura, após receber doações pesadas de setores repudiados pela candidata Marina Silva
Beto Albuquerque encerra seu mandato como deputado federal nesta
legislatura, após receber doações pesadas de setores repudiados pela
candidata Marina Silva

Candidato a vice na chapa de Marina Silva à Presidência da República, Beto Albuquerque (PSB-RS) contraria a determinação da ex-senadora, que recusa dinheiro do agronegócio e da indústria de armamentos. Ele recebeu doação de R$ 30 mil da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições (Aniam), que tem como filiadas a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e a Taurus, na campanha eleitoral de 2010, quando se elegeu deputado federal, de acordo com prestação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Marina, assim que aceitou a missão de concorrer pela legenda, reiterou ao PSB sua posição:
– Estabelecemos que não iríamos receber nenhum tipo de doação da indústria do tabaco e da indústria bélica. Esses compromissos nós continuamos com eles. É uma mensagem de que defendemos uma cultura de paz. Queremos trabalhar com a ideia de promoção da saúde – afirmou.
Albuquerque, no entanto, se justifica, após perguntado em uma entrevista se a companheira de chapa sabe de onde vem o dinheiro que gasta:
– É claro que ela sabe. Ela não veio para o PSB para ser PSB, assim como não nos coligamos com o Rede para sermos Rede. Nós somos de partidos diferentes. Essa contribuição (doação) veio de conhecidos que trabalhavam na Taurus. E o valor, R$ 30 mil, é pequeno. Eu votei favoravelmente ao desarmamento, no Referendo de 2005 – alega.
Álcool e armas
O deputado federal gaúcho Beto Albuquerque, candidato a vice na chapa de Marina Silva, foi um dos grandes entusiastas da candidatura própria do PSB. Albuquerque apoiou o rompimento do PSB com a base aliada do PT, à época, alegando que não havia espaço no governo para a legenda participar de decisões importantes, como ocorria durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Defensor do agronegócio, que representa grande parte dos doadores de sua campanha, Albuquerque carrega a missão de servir de ponte entre Marina Silva e a bancada ruralista. Em recente conversa com jornalistas da revista de centro-esquerda Carta Capital, Albuquerque afirmou que “sair do governo, entregar os ministérios, é dar independência ao PSB, de forma soberana, para definir o momento exato de ter ou não um candidato”. Então líder do partido na Câmara, Albuquerque defendeu que o Brasil precisa de discussões sobre seu momento histórico e suas novas necessidades políticas.
– Não tem havido debate político no Brasil de alto nível sobre as coisas que acontecem no país – afirmou.
O tom de renovação já havia sido o mote de Albuquerque em 2009, quando ele tentou se apresentar como uma terceira via para o cargo de governador do Rio Grande do Sul. Albuquerque tentou organizar uma frente de partidos socialistas para formar uma coligação forte para a disputa ao governo, que reuniria o PSB, PP, PCdoB, PDT, PPS, PTB, PR, PV e também do PSC, PTC e PtdoB. A união ruiu com a desistência do PCdoB, que puxou outros partidos a romperem com a chapa, levando o próprio Beto Albuquerque a desistir de concorrer ao cargo nas eleições de 2010. Neste ano, Albuquerque disputaria o Senado, mas desistiu para formar a chapa ao Planalto. Neste posto, ele terá a difícil tarefa de mediar a comunicação entre Marina, historicamente ligada a causas ambientais, e a bancada ruralista. O deputado federal Odacir Zonta (PSB-RS), ligado ao setor rural no Estado, afirmou na última semana que o projeto de governo idealizado por Eduardo e Marina pode seguir em frente, desde que a ideia de agronegócio sustentável proposta por Eduardo continue em vigor.
Transgênicos
Eleito pela última vez em 2010, Albuquerque teve parte da campanha financiada por empresas empresas de bebidas alcoólicas (como Bracol Holding LTDA e Fratelli Vita Bebidas S.A), a Aniam e diversas companhias ligadas ao agronegócio, como a Tres Tentos Agroindustrial SA, a Fibria Celulose S/A, a Sementes Guerra S/A e Moinho Iguacu Agroindustrial LTDA., entre outras. Em 2004, Albuquerque esteve envolvido no desenvolvimento da Medida Provisória que autorizou o plantio de soja transgênica no Brasil. Na época, Marina Silva era ministra do Meio Ambiente e se opôs à decisão. Albuquerque, como um dos vice-líderes do governo no Congresso, ajudou na articulação para a aprovação do projeto. Marina chegou a pedir uma reunião com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para falar especificamente desse projeto, mas Lula manteve a decisão de sancionar a medida.
Albuquerque é advogado e exerce seu quarto mandato como deputado pelo Rio Grande do Sul. Atualmente, ocupava o cargo de líder do partido na Câmara e tentava a vaga para o Senado, considerada praticamente impossível pelo PSB diante da polarização entre o pedetista Lasier Martins e o petista Olívio Dutra. A atitude de Albuquerque foi considerada um sacrifício em nome do partido, pois sua única finalidade seria reforçar, no Rio Grande do Sul, a candidatura de Eduardo Campos à Presidência. Beto Albuquerque tem um histórico de alianças com o PT. Entre 1999 e 2003, foi secretário estadual dos Transportes do petista Olívio Dutra. De 2011 a 2013, foi secretário de Infra-Estrutura e Logística do atual governador gaúcho, o também petista Tarso Genro. No ano passado, entregou o cargo e reassumiu o mandato de deputado quando Campos começou a construir a candidatura presidencial do PSB.
Entre seus principais projetos, o PL nº 4.383/08, mais conhecida como Lei Pietro, que cria a Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea. A lei foi sancionada dois meses após a morte de seu filho Pietro, de 20 anos, vítima de leucemia mieloide aguda depois de dois anos doente.
‘Onda havaiana’
Apesar das divergências internas entre PSB e Rede Sustantabilidade, o prestígio de Marina Silva cresce a olhos vistos, segundo antecipou o colunista José Roberto de Toledo, do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo. Segundo o colunista, a próxima pesquisa do Ibope, a ser divulgada nesta terça-feira, indicará que os números são positivos para a candidata.
“Há data e hora para todo mundo ficar sabendo o que a turma diferenciada já vislumbrou desde suas coberturas: a candidatura de Marina Silva está surfando uma onda de opinião pública de proporções havaianas”.
Segundo ele, as recentes pesquisas realizadas após a morte trágica de Eduardo Campos indicam uma tendência que vai além do impacto emocional: “A tragédia foi o despertador do público para a eleição, mas não só. Também catalisou um sentimento difuso de insatisfação com a política, com a polarização PT x PSDB”.
Apesar dos indícios de que sua candidato naufraga na gigantesca onda de Marina Silva, o adversário do PSDB, Aécio Neves, afirmou nesta segunda-feira que somente as pesquisas de opinião de setembro vão mostrar um quadro eleitoral mais realista e sem o impacto da morte de Eduardo Campos. Para o tucano, sem o impacto emocional da morte de Eduardo Campos a candidatura de Marina pode perder força.
– Daqui a 15 a 20 dias vamos ter um quadro um pouco mais real. Todas (as pesquisas) ainda têm o impacto do acidente que vitimou o Eduardo – disse ele em entrevista a rádio de um comércio popular do Saara no Centro do Rio.
Em conversa com os jornalistas, logo depois da visita à região de comércio popular do Rio, Neves acrescentou, referindo-se à falta de conhecimento de eleitores de sua candidatura, que ainda tem conhecimento baixo “e o conhecimento sobre nossas propostas também precisa ser aumentado. Acredito que a partir de 10 de setembro começaremos a ter um quadro mais próximo daquele que será o quadro eleitoral”. O tucano garantiu que mesmo passada a emoção da morte de Campos não vai atacar a campanha de Marina Silva deliberadamente.
– Jamais fiz campanha com ataques pessoais e vou continuar propositivo – prometeu.
Aécio foi irônico sobre a declaração do economista Eduardo Giannetti da Fonseca, um dos colaboradores da campanha de Marina Silva, de que, se eleita, a candidata do PSB buscaria o apoio dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.
– Respeito mas não sei se é um bom começo para quem quer apresentar propostas. Fico honrado ao ver referências positivas aos nossos quadros mas o que vai prevalecer é o software original… a declaração do Giannetti comprova que no PSDB estão os quadros mais qualificados – concluiu.



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Candidatura de Marina vai crescer, diz Pedro Simon

Publicação 18/08/2014 às 20:00:10 Atualizado 18/08/2014 às 20:00:10

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) acredita que Marina Silva (PSB), se for confirmada como candidata à Presidência da República pelo PSB, tem condições não só de chegar ao segundo turno, mas de ganhar as eleições. "Se o PSB e a equipe que está com ela tiverem a competência de entender o momento que estamos vivendo, isso pode acontecer. Ela representa hoje todos aqueles que querem mudar o Brasil, que desejam um novo horizonte para o nosso País", disse em entrevista ao Broadcast Político, serviço da Agência Estado de notícias em tempo real. "Esta é a grande bandeira. Acho que a candidatura dela vai crescer."
Uma pesquisa feita pelo Datafolha e divulgada hoje mostra Dilma Rousseff (PT) com 36% das intenções de voto para presidente, seguida por Marina Silva (PSB), com 21%, e por Aécio Neves (PSDB), com 20%. É o primeiro levantamento que inclui no cenário eleitoral a ex-senadora como substituta do ex-governador Eduardo Campos, que morreu na última quarta-feira em um acidente de avião. "A gente tem que reconhecer que o impacto emocional foi grande e pode ter influenciado na pesquisa, mas a grande verdade é que demonstra uma perspectiva significativa", disse Simon.
O político gaúcho, que era amigo pessoal de Campos e foi um dos articuladores de sua aproximação com Marina, acredita que o novo cenário concede à Marina uma possibilidade real de vitória, se ela souber usar as circunstâncias a seu favor. "Ela deverá fazer algo semelhante ao que o Lula fez. Depois de perder três vezes a eleição para a Presidência da República, na quarta vez ele se modificou. Mudou a plataforma (...) E teve uma vitória tranquila."
Segundo Simon, Marina deveria lançar uma carta ao povo brasileiro, a exemplo da carta divulgada pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2002. "Quando estava concentrada na possível candidatura dela, e depois quando decidiu concorrer como vice com o Campos, ela representava o pensamento de uma parcela pequena (da população). Agora, e as pesquisas estão dizendo, ela está representando a maioria do povo brasileiro", avaliou.
De acordo com fontes do PSB, o partido já prepara um documento reafirmando os compromissos assumidos por Eduardo Campos a ser divulgado na quarta-feira junto com o anúncio da nova chapa para a disputa presidencial. Esse documento não tem ainda um nome formal, mas seria justamente algo na linha da "carta ao povo brasileiro".
Simon lembrou da Rede Sustentabilidade, partido que Marina tentou criar, mas não conseguiu registrar a tempo de concorrer este ano. De acordo com o gaúcho, a Rede é importante, mas agora a ex-senadora está num patamar "muito superior" e deve se concentrar no compromisso de dar continuidade ao legado de Eduardo Campos.
Simon acredita que o deputado federal Beto Albuquerque (PSB/RS) cumpre todos os requisitos para assumir a vaga de vice e compor a chapa com Marina, mas também cita a viúva do ex-governador de Pernambuco, Renata, como uma possibilidade, embora mais remota. "A Dona Renata também seria um ótimo nome, mas acho difícil que ela consiga deixar os filhos, num momento como este, para se dedicar a isso", falou. "Os dois (Beto e Renata) fariam um grande trabalho."
Eleição no RS
Se Beto Albuquerque for de fato confirmado como vice de Marina, ficará em aberto a vaga ao Senado na coligação formada por PSB e PMDB no Rio Grande do Sul. Simon negou, no entanto, que possa aceitar ser novamente candidato - ele anunciou sua aposentadoria no início do ano. "A questão do meu nome ser cogitado é quase uma homenagem ao velhinho aqui, mas acho que o partido tem grandes nomes que podem aceitar", afirmou. "Eu posso ajudar, pretendo dar uma mão se a Marina for candidata, em alguns lugares do Brasil, mas candidato ao Senado está claro que não."