quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Vieira da Cunha faz projeto para suspender leilão de Libra

O deputado Vieira da Cunha (PDT/RS) protocolou, nesta terça-feira (15/10), um projeto de decreto legislativo na Câmara Federal para sustar o leilão do Campo de Libra, no Pré-Sal da Bacia de Santos. De acordo com Vieira, o modelo de edital elaborado para o leilão acarreta graves perdas de arrecadação do excedente em óleo para a União.
Por outro lado, da grandes ganhos às empresas que vierem a ser contratadas o que na prática, significa que a União – e não o contratado – assumea o risco de quedas de produção média dos poços e de preços Brent, fato que considera um absurdo e prejudicial ao país.
Além disso, para o deputado, o episódio de espionagem protagonizado pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) é um agravante e deve colaborar para o cancelamento do leilão: “Assuntos estratégicos que envolvem segredo industrial podem ter sido ilegalmente acessados por Agência de Governo estrangeiro, comprometendo a própria soberania nacional e, evidentemente, a licitação referente ao Campo de Libra.”
Se aprovado no Congresso Nacional, o decreto suspende os atos sobre a licitação publicados no Diário Oficial da União. Entre eles, o edital de licitação para outorga do “Contrato de Partilha de Produção para o exercício das atividades de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural em Bloco contendo a estrutura conhecida como prospecto de Libra”.
O DEBATE
O debate seguido de ato público contra o leilão do campo de petróleo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, realizado na manhã de ontem (15/10) lotou o auditório Nereu Ramos com a participação na mesa de mais de 20 deputados de diversas legendas, além de dezenas de pessoas ligadas aos movimentos sociais, aos petroleiros e a sindicatos.
O ato foi aberto por volta das 10h pelo deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), em nome do PDT - um dos organizadores do ato - e o vice-presidente do Clube de Engenharia e da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Paulando Siqueira.
Na abertura do evento, o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS) chamou a atenção sobre o que é o leilão de Libra. “É importante que a sociedade saiba que esse é um ato atentatório à soberania nacional”. O deputado lembrou do movimento “O Petróleo é Nosso”, e enfatizou que essa é uma luta histórica para a soberania do Brasil. Reforçou ainda, que o povo não pode assistir a esse retrocesso e permitir o leilão.
Participaram da mesa de abertura diversos deputados de diferentes partidos, a secretária geral da UNE, Iara Cassano, e o presidente da CTBG e representante do Partido Patria Livre, que organizou o ato em parceria com o PDT, Ubiraci Gonçalves.
Após a abertura houve a palestra do primeiro expositor, o professor Ildo Sauer, da USP, ex-diretor da Petrobras. Sauer, do Instituto de Energia e Ambiente da USP e ex-diretor da Petrobras alertou aos deputados para o Projeto de Decreto Legislativo 203/13, do Senado Federal, que suspende a licitação para outorga do “Contrato de Partilha de Produção” para a exploração de Libra.
Na palestra também apresentou documento assinado pela presidente Dilma Roussef e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em 30 de março de 2011, onde ficou acertado o trabalho em parceria dos dois países para desenvolver o interesse comum nos recursos do pré-sal na plataforma continental brasileira. Só que permitir que o leilão se concretize significa, na prática, na sua opinião, “ a destruição da soberania brasileira e o Legislativo precisa se mobilizar para evitar este atentado à soberania do Brasil”.
Em seguida, falou o consultor legislativo da Câmara dos Deputados, Paulo César Lima, que afirmou que a melhor maneira de explorar campos de petróleo como Libra é através de companhias estatais, não por concessão ou partilha. Paulo César mostrou gráficos detalhados sobre os poços do pré-sal e fez críticas diretas aos termos do edital da ANP para o leilão de Libra, alguns absurdos, na sua opinião - como a tabela da ANP que prevê remuneração maior para as companhias, quando a produção dos campos cair - com prejuízo para a União.
Nesta entrevista à Rádio Câmara, Paulo Cesar explica detalhadamente a questão.
Em entrevista, a agência Câmara, o consultor da Câmara também fez críticas ao edital do leilão de Libra. Na sua avaliação, o edital é ruim, entre outros motivos porque vincula a receita mínima da União à produção média dos poços, além da variação de preço.
"Produção média dos poços como variável não existe em nenhum lugar do mundo. Isso transfere o risco para o governo se a produção do campo for baixa, o que pode acontecer porque é natual”, afirmou. “Se a gente chegar a uma produção média dos poços abaixo de 4mil barris por dia e tiver um preço de petróleo na faixa de 80 dólares o barril, a participação da União nesse excedente em óleo seria de apenas 15,2%”, explicou.
Com a mudança do regime de concessão para o regime de partilha, o esperado era que a União recebesse mais das empresas que ganhassem os leilões. Lima, no entanto, contou que, sob o regime de concessão, o campo de Marlim rendeu ao País 30,8% de produção durante a crise econômica de 2008.  Segundo ele, se esse mesmo campo estivesse sob as regras previstas para Libra, renderia apenas 9,93%.
Ele acredita que o regime de partilha seria interessante se o edital previsse uma receita mínima de 60% para a União.  Ou até muito mais do que isto: citou que na Arábia Saudita, na Venezuela e em outros países, essa participação normalmente vai além de 80% do óleo produzido.
Um dos oradores da manhã foi o deputado Ivan Valente (PSOL), que anunciou a disposição de seu partido para colher assinaturas para um requerimento de urgência para um projeto de decreto legislativo (PDC  1289/13) apresentado pelo partido para tentar sustar o leilão marcado para a próxima segunda-feira (21).  O que foi obtido antes do final do dia os deputados do PSOL também aguardam o julgamento de uma ação, na Justiça Federal, com o mesmo propósito.
 O deputado Chico Alencar (Psol-RJ), que também esteve presente ao ato, sustentou por sua vez que Libra é uma área de alto interesse estratégico para o Brasil e, por isso, A ANP deveria suspender o leilão e repassar a jazida para a Petrobras, já que a própria lei da partilha prevê isto, em caso de áreas consideradas de alto interesse estratégico para o Brasil.
"É uma entrega indevida, não se justifica dos pontos de vista técnico, econômico ou da soberania nacional”, disse Alencar sobre o leilão.
Libra é a primeira área da camada pré-sal que vai a leilão para ser explorada pelo regime de partilha, mas o edital feito pela ANP foi unanimente criticado pelos especialistas presentes que repassaram diversos itens dele. Já o governo afirma que a União vai receber pelo menos 41,65% do que for produzido, o que é contestado. Fernando Siqueira, na sua palestra, mostrou detalhadamente porque não passa de falácia a informação de que o governo vai ficar com pelo menos 75% do óleo produzido.
O líder do PR, deputado Anthony Garotinho (RJ), que também participou do ato publico, contra o leilão realizado logo em seguida ao debate, disse que a espionagem das comunicações da qual o Brasil foi vítima recentemente é um dos motivos para o governo, com urgência, suspender a realização do leilão na próxima segunda. Para ele, isso poderia colocar em risco o equilíbrio da disputa entre as nove empresas ou grupos que apresentaram as garantias para disputar a exploração do campo de Libra.
Um vídeo da última campanha eleitoral mostrando a atual presidente Dilma Roussef afirmando que leiloar o pré-sal seria um crime, foi exibido no ato público.  O engenheiro Fernando Siqueira ressaltou que a presidente Dilma prometeu em campanha manter as riquezas provenientes do pré-sal no Brasil, mas que o leilão do campo de Libra, como está configurado,” vai destinar grande parte dos lucros à empresa que vencer a contenda e por isso reforço aqui a necessidade de se reavaliar os termos do leilão.”
Outro dos palestrantes, o professor Pedro Antonio Dourado de Rezende, falou sobre a vulnerabilidade da área de tecnologia de informação da Petrobras pelo fato da empresa ter terceirizado este setor e ter colocado, dentro dela, subsidiárias da Haliburton, absolutamente inconfiáveis pelo lado da segurança - em vez da Petrobras desenvolver soluções próprias, para não permitir que estrangeiros tivessem acesso a dados estratégicos.
O professor Pedro também falou da ciberguerra e dos riscos que o Brasil corre relacionados a esta questão, por adotar soluções simplistas em vez de se preocupar com a questão e procurar proteger as informações estratégicas do país.
O seminário foi suspenso por volta das duas da tarde, para que fosse feito o ato público no corredor de acesso ao plenário, no anexo II do prédio da Câmara dos Vereadores, e reiniciado a tarde com a palestra do engenheiro Fernando Siqueira.

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Médico Clínico e Sanitarista - Doutor em Saúde Pública - Coronel Reformado do Quadro de Dentistas do Exército. Autor dos livros "Sistemismo Ecológico Cibernético", "Sistemas, Ambiente e Mecanismos de Controle" e da Tese de Livre-Docência: "Profilaxia dos Acidentes de Trânsito" - Professor Adjunto IV da Faculdade de Medicina (UFF) - Disciplinas: Epidemiologia, Saúde Comunitária e Sistemas de Saúde. Professor Titular de Metodologia da Pesquisa Científica - Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO). Presidete do Diretório Acadêmico da Faculdade Fluminense de Odontologia. Fundador do PDT, ao lado de Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Carlos Lupi, Wilson Fadul, Maria José Latgé, Eduardo Azeredo Costa, Alceu Colares, Trajano Ribeiro, Eduardo Chuy, Rosalda Paim e outros. Ex-Membro do Diretório Regional do PDT/RJ. Fundador do Movimento Verde do PDT/RJ. Foi Diretor-Geral do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária, da Secretaria de Estado de Saúde e Higiene/RJ, durante todo o primeiro mandato do Governador Brizola.