domingo, 31 de março de 2013

Porto Alegre analisa reformas de base de Jango: 1o. de abril


Dois ex-ministros de João Goulart - Waldir Pires e Almino Affonso - participarão dos eventos promovidos pela Câmara Municipal de Porto Alegre para lembrar o 49o. aniversário das Reformas de Base, o projeto de reformulação do Estado brasileiro dinamitado pelo Golpe Militar de 1964. Eles estão programados para a próxima segunda-feira, dia 1º de abril, data precisa do golpe, geralmente citada como 31 de março para evitar a galhofa do dia da mentira.
As reformas de base, que contemplavam as reformas agrária, fiscal, bancária, educacional, urbana, administrativa e limitavam a interferência estrangeira (hoje, neste ano de 2013, o PIB nacional é controlado em 75% pelo capital internacional), constituem o maior projeto já concebido para o estado brasileiro. Por causa dele, o governo João Goulart foi deposto por aquele golpe cívico-militar, com a ajuda de capital e navios norte-americanos.
O seminário de Porto Alegre, impulsionado pela bancada municipal do PDT e o Instituto João Goulart, vai analisar a herança do governo Jango e os processos de reforma necessários para reduzir as desigualdades e garantir o desenvolvimento do país. O evento se propõe a também aprofundar a discussão  da participação do Estado em questões econômicas e a refletir sobre o conceito de “reformas de base” – ou seja, as iniciativas necessárias para alterar o sistema bancário, fiscal, urbano, o campo, administrações públicas e universidades. A discussão traz para a pauta a questão da reforma agrária e sua importância para o país, tanto na década de 60 quanto nos dias de hoje.
Com o objetivo de valorizar o papel do presidente João Goulart, o Jango, na criação do Conselho Nacional de Reforma Agrária e do Estatuto do Trabalhador Rural, que neste ano completa 50 anos, o seminário também debaterá temas como a recuperação dos processos de reformas políticas nos diversos níveis de governo e instituições e a necessidade da criação de políticas públicas que favoreçam o país.
Entre os convidados estão dois ex-ministros de Jango, Valdir Pires (Justiça) e Almino Afonso (Trabalho), que são testemunhas vivas da deposição do ex-presidente trabalhista pelo golpe civil militar em 1º de abril de 1964. O seminário 1964: Reforma de Base terá por local o Plenário Otávio Rocha, da Câmara de Porto Alegre, e será um dos eventos que deverão ocorrer durante o ano lembrando os 49 anos do golpe.

Inscrições e outras informações podem ser obtidas com a Escola do Legislativo Julieta Battistioli, da Câmara Municipal de Porto Alegre, pelo telefone (51) 3220-4374 ou na página eletrônica www.camarapoa.rs.gov.br, no link Escola do Legislativo.

Veja abaixo a Programação
01 de Abril de 2013 - 13h – Credenciamento; 
 13h30min- Abertura Oficial, com a presença de José Fortunati, prefeito de Porto Alegre; vereador Dr. Thiago Duarte, presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre; e Christopher Goulart, diretor de Comunicação e Acervo do Instituto João Goulart.
14h – 15h30min – O golpe de Estado e a Guerra Fria - Painel com a participação de Almino Affonso, ministro do Trabalho de Jango, e o atual senador Cristovam Buarque (PDT-DF), como debatedores, e o jornalista eescritor Juremir Machado da Silva, como mediador. 
15h45min às 17h15min – As Vésperas do golpe: violência e interrupção das instituições democráticas - Painel com a participação de Waldir Pires, Procurador-Geral da República de Jango, e o ex-prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, como debatedores, e do jornalista André Machado, como mediador. 
18h30min – Exibição do filme "Dossiê Jango" (Documentário de Roberto Faria – Brasil, 2012, 102min) Com a presença do diretor-geral do Canal Brasil, Paulo Mendonça. (PDT ASCOM - FC)

terça-feira, 26 de março de 2013

Um recado para Alceu Collares

Antonio Santos Aquino - Collares, trabalhista histórico, todos sabemos que tu és. Bem sabes, que, Brizola na última reunião da Executiva, elegeu Lupi primeiro vice-presidente do PDT e Tesoureiro do partido. Assim sendo, Lupi está dirigindo o partido legitimamente. O Estatuto do PDT foi mudado por Brizola quando Garotinho quís tomar-lhe o partido. Lupi não mudou nada. O que fizeste quando Brizola morreu, para orientar Lupi com tua experiencia? Nada. Todos diziam que o PDT morrera com Brizola. Lupi ficou só. A turma de falsos brizolistas do Rio de Janeiro, queriam tulelá-lo. Lupi, Vieira, Manoel Dias e outros abnegados, seguraram o PDT, inclusive ultrapassando a “claúsula de barreiras”. Ficaste com teus interesses, preferindo te acompanhar dos traidores. Aqueles que te trairam, trairam Brizola e o PDT. O nome deles começa por Dilma, que deu um arrastão no PDT, levando 504 pedetistas para PT. Ficaste no “bem-bom”; esqueceste o partido. Agora dizes que queres fazer renovação do trabalhismo. Renovação na Itaipú ganhando 30.000,00 na moleza? O que queres é ENTREGAR O PDT DE JOELHOS PARA O PT. Não és mais trabalista que eu, que em 1950 quando estava na Marinha, consolidei minha ideologia com a vitória de Getúlio Vargas. Acompanhei toda a saga dos trabalhistas até agora. Não sou martir e nem herói, mas paguei o preço de minhas convicções; e também estive preso, com uma carreira encerrada. O que devias era dizer aos netos de Brizola que o PDT é uma “trincheira de luta” deixada por Brizola para os verdadeiros trabalhistas lutarem. Não é herança de família COMO OS OPORTUNISTAS DAQUI DO RJ E RS lhes dizem. Termino dizendo: nunca fui candidato a nada e nunca tive cargo no partido. Falam para os mais novos em ideologia. NA VERDADE SÃO OPORTUNISTAS E FIZIOLÓGICOS... (leia mais)
 
(Do Boletim da Rede PDT - 20/03/1013) 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Presidente do PDT de Porto Alegre aciona neta de Brizola
 
Fernanda Pugliero/Correio do Povo - O presidente do PDT de Porto Alegre, deputado federal Vieira da Cunha, decidiu acionar judicialmente a deputada estadual Juliana Brizola, companheira de partido. Ele entregou ao procurador-geral de Justiça em exercício, Marcelo Dornelles, uma representação por crime contra a honra. Vieira alega que Juliana o ofendeu por meio de manifestações no Twitter.
Juliana e Vieira pertencem a alas distintas dentro do PDT. Enquanto a deputada apoia uma renovação do diretório nacional e quer indicar o irmão, o ministro do Trabalho, Brizola Neto, à presidência da sigla, Vieira pertence ao grupo que sustenta a permanência do ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi no comando. Para o deputado, o ataque feito por Juliana extrapolou o campo do debate político. "Enquanto estava nesse patamar, me cabia debater com eles nas instâncias do partido, que é o que tenho feito. Essa postagem extrapolou o debate interno.
O que houve foi uma ofensa pessoal, um crime contra a honra". A deputada relatou que as postagens no Twitter ocorreram após boatos de que, no encontro entre Lupi e a presidente Dilma Rousseff realizado na última semana, o ex-ministro teria dito que Brizola Neto não representa o partido no ministério. "Quer dizer então que, se tirar o ministro, eles ficam com a Dilma?", questionou Juliana. "Não fiz ofensa pessoal, mas falei a realidade". Segundo ela, o grupo de Lupi estaria ameaçando Dilma de retirar o PDT do governo.
 
Presidente estadual do PDT gaúcho, Romildo Bolzan Jr. afirmou que a indicação de Brizola Neto ao ministério foi pessoal e não partidária. "As relações na escolha do ministro que representa o partido têm que ser partidárias, e isso não foi o que ocorreu com Brizola Neto. Ele foi indicação pessoal de Dilma. Se o ministro sair, creio que o governo deveria discutir a indicação com a direção nacional", disse Bolzan, que está ao lado de Vieira. Brizola Neto foi anunciado como ministro do Trabalho em 30 de abril de 2012.
A Pasta permaneceu cinco meses sem comando, após o pedido de demissão de Lupi, pressionado por denúncias de irregularidades. Os nomes mais cotados na época eram o deputado federal Paulinho da Força (SP), o secretário nacional do partido Manoel Dias, Vieira da Cunha e o escolhido, Brizola Neto.
   

sexta-feira, 15 de março de 2013

PDT-RS indica delegados para Convenção Nacional em Brasília

 Os 11 delegados gaúchos à convenção nacional do dia 22, em Brasília, foram escolhidos na noite desta segunda-feira (11) em reunião do Diretório Regional. Dirigidos pelo 1o. vice-presidente, Pompeo de Mattos, os membros do Diretório Regional votaram pela indicação da chapa 2, liderada pelo deputado Vieira da Cunha, que obteve 117 votos, contra os 84 direcionados à chapa 1, da deputada Juliana Brizola. A tendência é que a convenção nacional confirme Carlos Lupi na presidência do PDT.
Antes da votação, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, fez um apelo aos partidários para que radicalizassem suas posições através do direito democrático da manifestação, mas preservando a história do partido e a trajetória de sucesso da última eleição. "A sociedade está com os olhos voltados para nós", advertiu o prefeito da capital, reiterando seu pedido de moderação durante os debates.
A reunião do Diretório durou pouco mais de duas horas, com a apresentação dos nomes das duas chapas. O secretário do Gabinete dos Prefeitos e 2o. vice-presidente do PDT, Afonso Motta, apresentou os 11 nomes da chapa liderada pelo seu grupo: Alceu Collares, Juliana Brizola, Giovani Cherini, Afonso Motta, Marlon Santos, Aldo Pinto, Valdir Heck, Angelo Fabian, Eduardo Freire, Marcelo Bisogno e Geovani Garcia.
Pela chapa 2, o deputado Vieira da Cunha anunciou os 11 nomes: Romildo Bolzan Júnior, Airton Dipp, Pompeo de Mattos, Lícia Peres, Salete Roswovski, Sonia D Avila, Ciro Simoni, Tiago Duarte, Rossano Gonçalves, Christopher Goulart e Edson Nespolo.
Cinco integrantes de cada uma das chapas se alternaram da tribuna defendendo suas posições e, logo em seguida, Pompeo de Mattos encaminhou a votação aberta, através da chamada dos nomes dos membros titulares e suplentes. Dos 200 titulares, 157 estavam presente e votaram; foram chamados 43 suplentes. A chapa 2 venceu com 117 votos contra 84.
O debate da sucessão nacional do partido mobilizou os pedetistas, que lotaram as dependências do auditório da sede na rua Félix da Cunha, no bairro Floresta. O apelo do prefeito José Fortunati foi atendido, os debates foram diretos e acalorados, mas venceu o equilíbrio e o respeito aos preceitos partidários instituídos por Leonel Brizola.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Márcia Santana, morre em Porto Alegre

Segundo a Polícia Civil, Márcia teria passado mal e desmaiado na madrugada desta quarta-feira

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Secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Márcia Santana, morre em Porto Alegre Caco Argemi/Divulgação
Secretária Márcia Santana tinha 35 anos e entrou no governo em 2011 Foto: Caco Argemi / Divulgação
A secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Márcia Santana, 35 anos, morreu na madrugada desta quarta-feira, em casa, no bairro Jardim do Salso, em Porto Alegre. Segundo informações da Polícia Civil, ela estava com familiares quando teria passado mal e desmaiado.

De acordo com informações preliminares, ela teria sofrido um infarto fulminante. O corpo de Márcia teria sido encontrado pelo companheiro dela no banheiro da residência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi ao local, tentou reanimá-la, mas não obteve sucesso. A confirmação do óbito chegou à polícia por volta das 0h45min.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o delegado que atendeu o caso, Márcio Zachello, disse que não foram encontrados indícios de crime na casa da secretária.

— A Polícia Civil compareceu para fazer uma análise preliminar e não encontrou ocorrência de delito — afirmou.

O corpo de Márcia foi removido ao Departamento Médico Legal (DML) para necropsia. O velório será realizado no Palácio Piratini a partir das 10h desta quarta e o sepultamento, às 17h30min, no Cemitério Jardim da Paz.


Corpo de Márcia foi encaminhado ao Departamento Médico Legal
Foto: Bruno Alencastro
Assistente social e ligada ao movimento feminista, Márcia foi chefe de gabinete da secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, quando deputada federal. Trabalhou pela defesa da infância e fim da exploração sexual de crianças e adolescentes no Rio Grande do Sul e no Brasil, bem como no combate à violência doméstica.

Em seu Twitter pessoal, Maria do Rosário prestou uma homenagem à colega: "Marcia Santana. Minha amiga querida. Exemplo de vida, de dedicação, de senso ético, de amor p/ pessoas, Obrigada por tua luz. Para sempre."
O deputado estadual Edegar Pretto postou: "Triste notícia do falecimento da nossa companheira de tantas lutas, a secretaria Márcia Santana. Perdemos uma grande guerreira."
Já o deputado estadual Aldacir Oliboni (PT), que foi à casa da secretária após receber a notícia do falecimento, escreveu no Facebook: "Nesta madrugada uma amiga, companheira leal e valorosa nos deixou. Uma pessoa alegre e sempre solidária. Márcia Santana, primeira Secretaria Políticas Mulheres do Rio Grande do Sul, fica tranquila que seguiremos tua luta em defesa da autonomia e do protagonismo feminino, contra o abuso e a exploração sexual de crianças e de adolescentes."
Márcia entrou no governo Tarso Genro em 2011. O governador está em Brasília e deve retornar ao Estado nesta quarta-feira para acompanhar os atos fúnebres. A morte de Márcia ocorre no dia em que o Palácio do Planalto irá lançar o programa "Mulher: Viver sem Violência" e que tem apoio da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres.

terça-feira, 12 de março de 2013

Do sul do Brasil a candidato a papa: a trajetória de dom Odilo


Por BBC, BBC Brasil


Um papa brasileiro?



Descendente de imigrantes alemães radicados no Brasil, o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, de 63 anos, trilhou um caminho virtuoso na hierarquia da Igreja Católica. Ele está entre os mais bem cotados para suceder o agora papa emérito Bento 16, que renunciou no mês passado.



Sétimo de 13 irmãos, Scherer nasceu em 1949 em Cerro Largo, no noroeste do Rio Grande do Sul, mas se mudou com a família com apenas dois anos para os arredores da cidade de Toledo, no oeste do Paraná.



'As terras do Rio Grande do Sul estavam ficando muito caras, e meu avô decidiu aceitar a oferta de um terreno e partiu rumo ao oeste do Paraná, que até então era uma região pouco explorada', afirmou Ana Maria Scherer, sobrinha de dom Odilo Scherer.



'Lá, dedicaram-se à agricultura. A família inteira trabalhava na lavoura, inclusive o tio (Scherer)', acrescentou.



Educados em um seminário administrado por padres locais, todos os meninos abdicaram da vida religiosa, exceto Scherer, cuja vocação pelas causas da Igreja sempre pareceu mais forte do que nos demais.



Em dezembro de 1976, aos 27 anos, foi ordenado padre em Toledo.



Na função, foi desde reitor e professor do Seminário Diocesano de São José, em Cascavel (PR), entre 1977 e 1978, a oficial da Congregação para os Bispos na Cúria Romana, entre 1994 e 2001, quando trabalhou diretamente com o papa João Paulo 2º (1920-2005).



Também fez mestrado e doutorado em Roma e no Brasil contribuiu para a formação de diversos jovens seminaristas.



Em 2002, assumiu o cargo de bispo auxiliar de São Paulo, nomeado pelo então arcebispo da cidade, o cardeal dom Cláudio Hummes. A ordenação como bispo ocorreu em fevereiro de 2002, e a posse, no início de março do mesmo ano.



Cinco anos depois, em abril de 2007, Scherer se tornou arcebispo de São Paulo, o sétimo a ocupar o cargo.



Em novembro daquele ano, foi nomeado cardeal, o posto máximo antes do pontificado.



A cerimônia aconteceu na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e foi celebrada por Bento 16, a quem Odilo Scherer agora pode suceder.



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segunda-feira, 11 de março de 2013

Diretório do PDT RS define hoje delegados para convenção nacional


Fonte: MCS - pdtrs.org.br - Francis Maia
11 de março de 2013



Por convocação do presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Júnior, no dia hoje (11) será realizado encontro do Diretório Regional para a escolha dos delegados que representarão o Rio Grande do Sul na convenção nacional, confirmada para dia 22, em Brasília.



O Diretório Regional reúne os 200 membros titulares que deverão escolher os 11 delegados à convenção nacional.



Na pauta da reunião do Diretório Regional, Romildo vai apresentar o calendário de reuniões das Coordenadorias do PDT.



A reunião será às 19h, na sede do PDT em Porto Alegre (rua Félix da

quarta-feira, 6 de março de 2013

Deputado Vieira da Cunha envia carta a Carlos Araújo


6 de março de 2013


O deputado federal e presidente do PDT de Porto Alegre Vieira da Cunha enviou nesta terça-feira (5) uma carta aberta ao ex-deputado estadual pedetista Carlos Araújo. No documento, Vieira crítica as declarações feitas por Araújo à imprensa e sua ausência do partido. Vieira também afirma que o retorno de Araújo, previsto para ocorrer em março, “não seria construtivo”.


Íntegra da carta:



CARTA ABERTA AO EX-PEDETISTA CARLOS ARAÚJO



Brasília, 05 de março de 2013.



Prezado Araújo:



Resolvi te escrever em função da última entrevista que concedeste à imprensa sobre o PDT, mais uma vez para criticar e desmerecer o Partido e sua direção.



Inicio esta carta aberta te repetindo o que disse pessoalmente quando te visitei: como seria bom, face a tua história de militância, te receber de volta ao Partido de braços abertos!



Infelizmente, porém, quanto mais eu leio tuas declarações, mais me convenço de que o teu retorno não seria construtivo para o nosso Partido.



Já temos “inimigos na trincheira” de sobra. Alguns, inclusive, porque têm o sobrenome Brizola, se julgam acima do bem e do mal, dão-se ao direito de ofender publicamente a honra do presidente do Partido e a minha. São teus “protegidos”, sob tua orientação e aconselhamento, expondo publicamente o PDT com atitudes antiéticas e criminosas, pelas quais responderão nos foros próprios.



Deixaste o partido no final do ano 2000. Uma pergunta se impõe: que legitimidade tem para criticar a direção do PDT alguém que se desfiliou do partido há mais de 12 anos?



Após tentares duas vezes a Prefeitura de Porto Alegre (a segunda com o Vereador Vieira da Cunha como vice, lembras?), eu concorri a Prefeito em 1996, e, no ano 2000, disputei, com o teu apoio, do Sereno, do Milton e da Dilma, uma acirrada prévia com o Collares.



Ele ganhou – 2400 a 2000 votos – e foi o candidato do PDT a Prefeito de Porto Alegre.



Foi aí que nos separamos.



Eu fiquei com o Partido. Respeitei a decisão dos nossos filiados. Fui coordenar a campanha do Collares.



Tu preferiste a desfiliação e o apoio público ao candidato do PT, Tarso Genro.



Tu, estes anos todos, optaste pelo teu escritório privado de advocacia, e eu, o Lupi e tantos outros, permanecemos na mesma trincheira de luta, no PDT, nosso primeiro e único partido, defendendo os mesmos ideais, sempre ao lado e sob a liderança de Leonel Brizola.



Brizola morreu em 2004. Muitos disseram que o PDT seria enterrado com ele, inclusive – para o meu desgosto – nosso amigo em comum, Flávio Tavares.



Tempos difíceis. Nós, amassando barro e, outros, na comodidade dos escritórios acarpetados.



Veio a cláusula de barreira (depois julgada inconstitucional pelo STF) e concorri, em 2006, a deputado federal, mesmo contra a vontade de minha família, para dar a minha contribuição à sobrevivência do Partido. Onde estavas?



Chega 2010. Não titubeamos em apoiar a Dilma, apesar de ela ter nos deixado no final do ano 2000, junto contigo.



Mesmo com prejuízo eleitoral, defendi a candidatura da Dilma, abri e mantive comitês no primeiro e segundo turnos, e não me arrependo. Sei que a presidência está em boas mãos. Me orgulho de ter contribuído para eleger a primeira Presidenta da história da República do Brasil.


Preparo-me agora para ser candidato a Governador.


Defendo a candidatura própria, e vou disputar a Convenção no ano que vem.


Com a espetacular vitória do Fortunati (onde estavam tu e teus protegidos, notadamente a deputada Juliana? Não vi vocês em nenhum ato da campanha), 70 Prefeitos conquistados no RS, inclusive Caxias, entendo que o PDT não pode continuar no papel de coadjuvante na política gaúcha.


Temos história, representatividade e lideranças para ter uma candidatura competitiva ao Governo do Estado, embora tu não reconheças, o que é compreensível para quem está há tanto tempo fora do Partido.


Estou convicto de que a candidatura própria ao Governo do Estado será mais um passo importante para fortalecer o Trabalhismo.


Apesar da omissão de pessoas como tu nos anos mais difíceis, o PDT cresce e se afirma cada vez mais como uma das principais forças político-partidárias do Rio Grande e do País.


Temos um passado que nos orgulha e, com um presente de muito trabalho, construiremos um futuro promissor para o Trabalhismo.


Quem viver, verá!


Fraterno abraço,


VIEIRA DA CUNHA

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